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Concepções de Leitura e de Escrita nas Escolas Municipais de Belo Horizonte

Autor: Ângela Maria de Matos Gomes
Data: 28/07/2009

INTRODUÇÃO

Pretendemos analisar a evolução dos conceitos relativos ao ensino/aprendizagem da leitura e da escrita em algumas escolas da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte, nos últimos quarenta anos.

OBJETIVO GERAL

Investigar a evolução dos conceitos de leitura e de escrita em algumas escolas da Rede Municipal de Ensino de Belo Horizonte nos últimos quarenta anos e suas relações com as metodologias de ensino/aprendizagem praticadas pelos professores, nesse período.

MATERIAL E MÉTODOS

Utilizamos como recursos de pesquisa: a pesquisa bibliográfica e a pesquisa de campo, esta, através de questionários abertos e fechados, que foram respondidos pelos professores alfabetizadores das respectivas escolas nas quais trabalham. Estudamos cinco das vinte e sete escolas municipais de Belo Horizonte existentes na Região do Barreiro.

RESULTADOS E CONCLUSÃO

Os professores municipais pesquisados estão familiarizados com o pensar teórico a respeito do que consiste ler e escrever, mas tal não se dá em relação ao ensino/aprendizagem da língua. Sendo assim, uma das saídas seria uma melhor organização das suas práticas pedagógicas.

SABER O QUE É LEITURA E ESCRITA IMPLICA EM SABER ENSINAR A LER E A ESCREVER?

Reconhecemos que muito já foi produzido no campo do ensino/aprendizagem da leitura e da escrita em "Língua Portuguesa" e que vários são os autores, das diversas áreas do conhecimento humano: psicologia, sociologia, pedagogia, lingüística, neurolingüística, dentre outros, que vêm se dedicando ao estudo do fenômeno linguístico e sua manifestação nas interações sociais.

 Como se sabe, na década de 70, o Brasil ainda vivia o tempo da "Ditadura Militar" (regime de exceção das liberdades civis com todas as implicações desse fato); foi também o tempo, no campo educacional, da aprovação e da implementação da Lei 5692/71 da Reforma e da Unificação do Ensino Primário ao ensino Ginasial, que passaram a ser chamados, a partir da promulgação da Lei, de Ensino de 1º Grau de 1ª à 8ª Séries. Foi o tempo (contraditoriamente) da democratização do acesso da população pobre ao ensino básico e ao ensino médio profissionalizante (2º Grau); também foi o tempo da implantação do "Vestibular Único", com provas de múltipla escolha; nessa época houve a proliferação dos ?Cursinhos? preparatórios ao "Vestibular".

Pois bem, nesse ambiente, discutia-se intensamente, a julgar pelo exposto na obra da educadora Casasanta, (1972) a respeito do melhor método para se ensinar a ler e a escrever. Tal como hoje, percebe-se que a polêmica girava em torno do método sintético (alfabético, silábico ou fônico) e do método analítico (palavração, sentenciação, global, ou o método global de contos). Segundo afirma Casasanta, (p.82), "ler palavras não significa ler para nenhuma criança do primeiro ano"; ler significa compreender o texto, ganhar o sentido das palavras e, não apenas, decifrá-las (p.83). Mas, alerta:

"(...) é frequente a classe perder a atitude fundamental devido ao demasiado treino de leitura de palavras, no desenrolar de algumas fases da aprendizagem, ainda mesmo quando se aplica o melhor método; é a atitude fundamental que predispõe o espírito para ligar importância vital ao sentido do que é lido e para estabelecer a antecipação de idéias de que vão depender muitos outros hábitos de leitura, é a essência do processo de ler"(p.84).

Sabe-se hoje que devido aos outros componentes constituintes da elaboração da significação textual (conhecimentos prévios, elementos contextuais, motivação do leitor, elementos co-textuais: semânticos, sintáticos e morfológicos) e também devido aos componentes ambientais e culturais, ou mesmo aos órgãos dos sentidos ou perceptivos do sujeito que lê, devido a tudo isso é que os primeiros significados textuais vão se processando cognitivamente e, então, partes menores do texto passam a ser percebidas também como seus componentes constitutivos. Chega-se, assim, às palavras, às sílabas e às letras. Processo inverso ao dos métodos sintéticos, com a vantagem, segundo Casasanta (p.167), "da garantia da formação da unidade do fenômeno linguístico". Ou seja, o aluno aprende a ler e a escrever concomitantemente e significativamente.

Une-se, dessa forma, o ontem, ao que hoje clama outra grande educadora mineira "Magda Soares" quando diz que "o aluno deve alfabetizar-se letrando e letrar alfabetizando-se". Disse isso durante conferência proferida no dia 14/09/2006, no CEALE (Centro de Alfabetização e Letramento) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Soares iniciou a conferência, afirmando-nos que a aprendizagem da língua escrita se faz por dois "passaportes": aquisição de uma tecnologia e alfabetização. Explicou-nos que a língua escrita é a língua visível, enquanto que a língua falada é audível. A escrita foi uma descoberta, portanto uma invenção humana. É um sistema convencional e arbitrário. Por isso, deixar espaços entre uma palavra e outra; espaços de parágrafos, por exemplo são técnicas que devem ser aprendidas para se entrar no mundo da escrita e adquirir então o segundo "passaporte", a alfabetização.

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