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Educação Matemática: Uma Negociação em Sala de Aula

Autor: Allan Gomes dos Santos
Data: 11/11/2010

No contexto atual de globalização e de transformações nos mais diversos sentidos, a Educação tem a frente uma nova realidade a refletir sobre seu papel e propor novos rumos. As tecnologias de informação e comunicação vêm tomando espaço cada vez maior na sociedade, alterando de forma significativa os antigos paradigmas educacionais e disseminando novas concepções para o conhecimento humano. Neste contexto, a educação tem sido compreendida como um valor altamente desejado pelos diversos setores da sociedade e, freqüentemente, apontada como "estratégica na possibilidade de ser geradora de uma transformação que permita à sociedade superar todos os seus impasses", segundo (Barbosa, 2004). Que ainda descreve que: "... a educação, hoje, sofre grande pressão no sentido de sua transformação e enfrenta o desafio de ser repensada e de promover mudanças no seu papel, finalidade e inserção social".

Acompanhando estas transformações, seja de mudanças seja de dificuldades, e, buscando caminhar neste horizonte de nova tendência de estudo, os objetivos para o ensino da matemática têm buscado andar neste mesmo rumo, apesar de ser ainda uma área de estudo muito combatida e até desprezada por muitos, onde são inúmeros problemas que inviabilizam uma construção de um conhecimento mais "consistente" e "útil" por parte do aluno. Neste contexto de novas concepções da construção do conhecimento, a Educação Matemática como forma de propor uma nova formatação para o ensino da matemática, vem tomando espaço cada vez maior nesta conjuntura de mudanças, alterando de forma significativa os antigos paradigmas educacionais e disseminando novos entendimentos para o crescimento científico da matemática. Portanto, a Educação Matemática tem sido compreendida como um valor altamente desejado pelos diversos estudiosos e professores que buscam melhorar o contexto educacional e do ensino-aprendizagem e, freqüentemente, apontando estratégicas na possibilidade de serem geradas transformações que permitam que o ensino da matemática supere seus impasses.

A Educação Matemática busca fortalecer esta área de estudo e viabilizar ações pedagógicas que descreva atitudes de negociação como mecanismo de propor motivar, estimular, respeitar e desenvolver não somente uma ação de ensino e aprendizagem, mas, sim, uma interação que entrelaçam o elo entre o que vai ensinar ao que se deve ensinar, e por que não, para que ensinar. Assim, promover práticas pedagógicas mais próximas da realidade do aluno, coordenando planejamentos, conteúdos propostos e uma melhor interação na relação aluno/professor são mecanismos que a Educação Matemática busca propor numa essência colaborativa, que visualize coerência na contextualização de seu aprendizado e sua materialização de seus conteúdos, muitas vezes dentro das inovações do ensinar e aprender. Isto fica muitas vezes sendo questionado pelo contexto desta disciplina que por muitas vezes a relação professor/conteúdo/aluno não viabiliza uma forma lúdica, prazerosa ou significativa por parte do interesse e utilização do alunado. Desse modo, este novo paradigma do ensino da matemática coloque o professor com uma postura de educador do processo, onde o processo se caracteriza em colocar o elemento negociador (professor) de frente, olhando o aluno, o ensino e compartilhando a construção do aprendizado e as necessidades do educando.

Numa realidade de negociação na sala de aula a ação proposta pelo elemento professor no processo de ensino-aprendizagem se caracteriza em colocar clareza sobre as características do conhecimento desejado, e promover condições necessárias para uma aprendizagem significativa e de alcance com a interligação da relação conhecimento/realidade do dia-a-dia. Neste sentido, podemos perceber o quão fundamental é o papel do professor, pois é essencial que ele realize a mediação entre o ensino matemático, contextualizado e interdisciplinar, e os alunos que querem construir esse conhecimento mais sólido. Desse modo, (Piaget, 1974) coloca: "... é acima de tudo, através da interação com outros, combinando sua abordagem de realidade com a de outros que o indivíduo conhece a fundo novas abordagens". E, ainda segundo (Lévy, 1995): "... o professor não se apresenta como um elemento externo à rede de significações vivenciadas pelos estudantes: ele faz parte dela".

Nesse contexto, qualquer concepção transformadora do ensino da matemática deve passar por indagações sobre o que se está ensinando, seu significado, sua constituição, sua estrutura, a produção desse conhecimento, chegando-se à seguinte indagação: o que se está ensinando é realmente o ensino da Matemática, e atinge os objetivos maiores da Educação? (D'AMBROSIO, 2004).

Se cada conteúdo a ser abordado em sala de aula pudesse ser analisado minuciosamente, sob cada um desses aspectos, é provável que, além de uma mera transmissão de treinos mecânicos descontextualizados (CHAGAS, 2001) e, ainda, de uma forma de ensino tradicional, como se faz atualmente, se conseguiria chegar mais próximo a um processo de desenvolvimento de aprendizagem, em que os conceitos ocorreriam pela interação dos alunos com o conhecimento (CHAGAS, 2001).

É lógico que, por essas e outras razões, os educadores devem modificar alguns aspectos do ensino da matemática, pois, para Goldberg (1998), "educar é transformar", mesmo que de forma gradativa e sugestiva, mas acompanhando os avanços, pois um dos caminhos que enseja a possibilidade de gerar maior produtividade no processo ensino-aprendizagem pode estar na diversificação das formas de abordagem de cada tema a ser apresentado, a partir das quais ocorre a adaptação ao nível de aprofundamento desejado e que melhor se encaixe na aprendizagem.

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