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Entre desigualdades e conflitos, a educação de jovens e adultos tornou-se uma grande conquista, um direito que teria sido arrancado e que agora está voltando aos poucos; que deve desenvolver processos pedagógicos com a finalidade de escolarizar, indo além de alfabetizar, trata-se de construir a realidade a partir das culturas negadas e da conscientização política do que é mundo. Tornando o seu alunado apto a conhecimentos que lhes foram negados, ora pela necessidade de trabalhar exaustivamente e não conseguir conciliar as duas ações, ora pelo fato de serem excluídos dos direitos sociais básicos para viver em sociedade, dos quais faz parte a educação. A esse respeito Silva (2009) comenta que:

Não basta somente capacitação dos alunos para futuras habilitações nas especializações tradicionais. Trata-se de ter em vista a formação destes para o desenvolvimento amplo do ser humano, tanto para o mercado de trabalho, mas também para o viver em sociedade.

O espaço de aprendizagem em EJA não deve ser constituído por abstrações, desligado da realidade. É necessário que os sujeitos viabilizem a sua existência, como professores, diretores, alunos, familiares etc., e as relações que estabelecem entre si, inclusive as de conhecimento, por meio de suas propostas pedagógicas, curriculares, metodológicas, etc.

Construir uma EJA que produza seus processos pedagógicos, considerando quem são esses sujeitos, implica pensar sobre as possibilidades de transformar a escola que os atende em uma instituição aberta, que valorize seus interesses, conhecimentos e expectativas; que favoreça a sua participação; que respeite seus direitos em práticas e não somente em enunciados de programas e conteúdos; que se proponha a motivar, mobilizar e desenvolver conhecimentos que partam da vida desses sujeitos; que demonstre interesse por eles como cidadãos e não somente como objetos de aprendizagem. (ANDRADE, 2004, p.1).


Mesmo com várias mudanças significativas no sistema educacional de ensino no Brasil, A educação de jovens e adultos convive cotidianamente com uma situação desafiadora, a de conciliar o currículo e a realidade do seu aluno. Arroyo (1996) ressalta que:

Trabalhar com Jovens e Adultos é uma prática desafiadora para o profissional da educação, visto estes serem estes sujeitos históricos concretos, ativos na sociedade onde estão inseridos e que voltam à escola muitas vezes depois de muitos anos sem estudar. Não é pertinente, portanto, que sejam tratados da mesma forma que os alunos do ensino regular. A própria organização do trabalho escolar tem de ser diferenciada.


Daí surge à questão: como dar significado ao currículo escolar para que ele se torne relevante durante a vida cotidiana do sujeito inserido no processo de ensino/aprendizagem? Geralmente o que se tem presenciado não só na EJA, mas também na modalidade de ensino regular, são conteúdos curriculares vazios, que após o período de escolarização não tem nenhuma utilidade para a construção do conhecimento cotidiano, só servem apenas para a obtenção de notas e um certificado de conclusão de escolaridade.  Além disso, "o professor não passa de um boneco de ventríloquo: ou ele aplica saberes produzidos por peritos que detém a verdade a respeito de seu trabalho ou é o brinquedo inconsciente no jogo de forças sociais que determinam seu agir (...)" (TARDIF (2000) apud Antunes & Kurzawa (2009), p.114-115).

Para que haja um progresso de base na educação do século XXI, os homens e as mulheres não podem mais ser "brinquedos inconscientes não só de suas idéias, mas das próprias mentiras. O dever principal da educação é armar cada um para o combate vital para a lucidez". MORIN (2002, p.33).

Chega de professores com a "cabeça cheia" de conteúdos, que sentem a obrigação de depositar todo seu conhecimento sobre seus alunos. Os livros didáticos não podem ser uma forma de controlar o trabalho docente e o currículo, tem de ser um recurso que some de forma positiva, junto ao currículo cultural. Embora seja preciso termos consciência de que "enquanto os textos dominarem os currículos ignorá-los como não sendo dignos de uma séria atenção ou de uma luta política é viver em um mundo divorciado da realidade" Apple (1995:101). No entanto os professores têm o poder e devem ter o discernimento, o compromisso e a sensibilidade de acabar com mera transmissão de conhecimentos vazios. É reavaliando sua prática pedagógica, recontextualizando o currículo escolar de acordo com a vivência a ser trabalhada, respeitando os saberes trazidos pela realidade e experiência do educando que ambos construíram conhecimentos.

2.1  Sujeitos De Cultura Própria

A caminho do primeiro dia do estágio observacional, encontramos Mara, uma jovem aluna do 8º ano da EJA, sala em que iria estagiar, ao longo da conversa, perguntei o que ela achava da EJA, ela respondeu: "é um bom estudo, as professoras não exigem tanto, entendem o que agente pode ou não fazer, e também sendo um estudo a noite eu tenho mais tempo para cuidar das coisas de casa". Novamente perguntei se estudar fazia sentido em sua vida e ela respondeu: "às vezes sim, porque agente tem que saber de alguma coisa, para não passar por 'burro', mas tem alguns assuntos (conteúdos pragmáticos) que eu não entendo pra que serve e como vou usar fora da sala". Como já estávamos entrando em sala, ela não quis mais falar sobre o assunto.  Como graduante em Pedagogia este depoimento só reforçou um pouco do que já havia em meu conhecimento sobre o universo educacional e sobre o fazer e ser na prática curricular docente.

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