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Educação: Novas Tecnologias, Velhas Metodologias

Autor: Adelar Hengemühle
Data: 14/10/2008

Diante do dilema das mudanças, transformações, questionamentos sobre "que educação precisamos?" "como desenvolvê-la?", entre outros, as instituições de educação, sejam básicas ou superiores, em especial aquelas de iniciativa privada, vem sendo questionadas e confrontadas com necessidades do uso das novas tecnologias. De alguns anos para cá, solidificou-se uma cultura no meio de nós de que uma instituição de qualidade é aquela que tem, inicialmente, eram retroprojetores, depois computador para cada aluno, um televisor em cada sala de aula, data show para atender a cada professor, entre outros.

As instituições que já estão sofrendo com a falta de recursos financeiros para cumprir suas obrigações, são solicitadas a investir fortemente na aquisição desses equipamentos tecnológicos, que não são baratos. Há muito tempo temos observado esse fenômeno. Inicialmente, era algo novo! Quem o tinha, tinha um diferencial! Poucos professores sabiam manusear esses equipamentos. A grande maioria, no caso do data show, ou pagava alguém para preparar um programa no power point, ou se aventurava, entre erros e acertos, a preparar o seu material. Professor de qualidade era aquele que usava bastante esses recursos. Os alunos, inicialmente, viam-se motivados com o uso desses novos equipamentos.

Aos poucos, esses recursos foram se tornando triviais em nosso meio. Uma grande maioria, principalmente nos grandes centros e em instituições mais abastadas, sabem manuseá-los e produzir material para projetar informações, ou imagens através dos mesmos. Aos poucos, e sempre mais, começamos a ouvir dos alunos, a mesma reclamação de antigamente ("Tenho que passar o tempo inteiro copiando do quadro o que o professor passou [...]": ). Algumas reclamações que ouvimos ultimamente no pátio da Universidade: "Professor x passa a noite inteira projetando textos na parede"; "Assim é fácil dar aula, coloca o material no power point e passa o tempo inteiro projetando e falando"; "Que saco, os professores passam tudo tão rápido que não dá nem tempo para copiar" [...].

Começamos a nos indagar: que mudanças metodológicas ocorreram entre o passado, quando o professor passava no quadro e o aluno copiava e repetia na prova? Certamente, para passar informações, esse novo modelo vai mais rápido para o professor. Passa mais por período. Mas e o aluno? Principalmente aquele que trabalha o dia inteiro e vem à noite para buscar uma qualificação em sua formação pessoal e/ ou profissional? Muitas vezes, não recebe nem um texto para poder fazer uma leitura posterior. Será que, diante desse modelo de ensino, a forma anterior que possibilitava ao aluno copiar do quadro,  não lhe propiciava mais aprendizagem?


Certo é que nós não concordamos com nenhum dos dois modelos. Todo o processo de aprendizagem que:

  • não parta de situações e problemáticas significativas do contexto mundo-vida (momento inicial na abordagem de um novo conteúdo/conhecimento);
  • não busca nos referenciais teóricos a luz para compreender situações e/ou resolver problemas desse contexto real (momento intermediário da teorização);
  • no final do processo, não  provoca o aluno a argumentar, fundamentar, com base nos referenciais teóricos, as suas compreensões e/ou solução das problemáticas (momento final [...] com a produção de um novo conhecimento, nova compreensão);

é um processo questionável quanto à qualificação da formação das pessoas, a qualidade e quantidade de aprendizagem construída, seja na educação básica, onde se procura ter uma compreensão sistêmica da vida, seja no ensino superior, onde, além da formação humana (ética, ...), desenvolvimento sustentável,  precisamos formar profissionais capazes de utilizar as teorias adquiridas para responder a um contexto em transformações constantes.

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