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Reflexão Sobre o Brincar na Educação Infantil

Autor: Sandra Cristina Fernandez
Data: 01/06/2017
Resumo

Este artigo trata dos resultados de uma reflexão acerca da importância do brincar como atividade permanente da cultura infantil, tendo como referências memórias de infância, observações da rotina da escola infantil, leituras de autores como MOYLES (2002) e documentos oficiais como as DCNEIS (Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil), que pautam a importância do brincar como atividade principal para o desenvolvimento da aprendizagem nesta faixa etária.  

Palavras-Chave: Brincar. Desenvolvimento Infantil. Educação Infantil.

INTRODUÇÃO

A área da Educação Infantil vem passando por um processo de (re)avaliação de concepções e conceitos de práticas pedagógicas e de um currículo que proporcione o desenvolvimento das crianças, porém com um currículo próprio, sem antecipação de conteúdos que devem ser trabalhados apenas no Ensino Fundamental, tendo as interações e brincadeiras como atividade principal e a valorização de todas as experiências que venham proporcionar o desenvolvimento integral da criança.

Além disso, as DCNEIs (Diretrizes curriculares nacionais para a educação infantil/2010) destacam a brincadeira como atividade privilegiada na promoção do desenvolvimento nesta fase da vida humana.

É através do brincar que a criança pode desenvolver as habilidades de memória, atenção, imitação, imaginação e habilidades motoras como equilíbrio e coordenação. O brincar potencializa o desenvolvimento, aprende a conhecer, a fazer, a conviver. Estimula a curiosidade, a autoconfiança e autonomia, desenvolve a linguagem, o pensamento, e a atenção.
O brincar faz parte da vida da criança. É brincando que ela inicia, desde a mais tenra idade, sua interação com o mundo, estabelecendo formas de comunicação, relacionamento e experimentação. O brincar é atividade constante e natural, que estimula o aprendizado e a apreensão de valores culturais e sociais. O adulto de maneira geral vê as atividades lúdicas quando praticadas por ele como atividades de lazer e ócio e quando se trata da criança, acredita que a brincadeira tem sempre valor educativo. Nem sempre é assim. O brincar é livre. Tem valor essencial no desenvolvimento dos seres, mas é também atividade criativa, de diversão e descontração. E, ainda assim, é no brincar que a criança tem a possibilidade de desenvolver habilidades motoras, perceptivas e cognitivas. Muitos estudos com crianças sugerem que o brincar da criança requer estratégias sociais de grande complexidade. A criança não se limita a imitação do mundo adulto, elas reinventam a todo tempo, um novo mundo. Esse mundo tem um pouco do que recebe de informação e um pouco dela mesma e de seus gostos e paixões próprias. (MORAIS E PÚBLIO, p.13)
Para Freinet (1996) a criança aprende pela experimentação concreta no mundo real, na relação com o mundo, com as pessoas, enfim, com o meio social. Acreditava que um experimento, qualquer que seja, deixa uma marca permanente e é com essas marcas que a criança constrói seu conhecimento. Porém, esses experimentos ou vivências devem fazer sentido para as crianças, devem partir de um "querer" experimentar.

De outra maneira acontecendo atividades mecânicas, propostas pelo professor sem o desejo das crianças, a aprendizagem se dá mecanicamente através da memorização ou até mesmo não acontecendo aprendizagem alguma, correndo o risco de a escola não fazer a menor diferença.
 
Figura 1 - Quando a escola não gera aprendizagem
Fonte: https://profomar.files.wordpress.com/2013/03/mafalda-31.jpg

RELATANDO EXPERIÊNCIAS

Quando comecei trabalhar com a docência na Educação Infantil, tínhamos que fazer muitos "trabalhinhos" e reunir numa pasta ou caixa que chamávamos de coletânea e ao final do ano ou semestre realizávamos uma testagem individual para saber se a criança teria alcançado os objetivos do ano ou adquirido as competências necessárias para a sua faixa etária.

Desta forma nos pareceres descritivos estava posto o que a criança "conseguiu aprender" durante o ano e o que "faltou aprender", dentro das competências pré-definidas. Estas eram como provas, geralmente aquelas folhas mimeografadas com atividades como: Pinte a figura maior de azul, a menor de vermelho e a de tamanho médio de amarelo. Sequer pensávamos que tal aprendizagem não precisava se dar desta forma e sim poderia ser muito mais divertida realizada dentro de uma brincadeira, testando o tamanho dos brinquedos, construindo castelos na areia, enchendo baldes de diversos tamanhos com pedrinhas e muitas outras brincadeiras mais que por ventura as crianças inventavam.

Na minha infância, não tínhamos educação infantil formal, morava no interior e a aprendizagem se dava através da convivência com as demais crianças da localidade. Acontecia da seguinte forma: as crianças mais velhas mediavam as brincadeiras e assim, gradativamente as mais novas iam se inserindo de forma muito natural, realizávamos experiências das mais diversas, lembro de um grande espetáculo circense, realizado no porão da casa do vizinho, no qual o "mágico" realizava o experimento do ovo boiando no copo e no final descobríamos que acontecia pois o ovo estava "choco", estragado. Tínhamos a liberdade de explorar as ruas e suas ladeiras de bicicleta, descobrindo que quanto mais íngreme, a bicicleta andava mais rápido.

Atualmente, não podemos dispor de tal organização na infância, já não é possível deixar as crianças explorarem livremente os espaços, temos vários fatores determinantes desta privação como o trabalho dos pais, a falta de espaços apropriados, o trânsito, a violências, etc. O que nos leva, muitas vezes, a encontrar na escola o único refúgio de liberdade para brincar.

Neste contexto se destaca a importância e responsabilidade da escola e dos professores na educação infantil, com o papel de estimular aprendizagem, possibilitando o desenvolvimento. No tocante ao brincar, como processo, oportuniza a comunicação, a extensão das relações sociais das crianças para com outras pessoas, adquirindo competências novas, habilidades, facilita a atividade dentro de um ambiente, dentre outras oportunidades advindas do brincar.

Conversas de corredor: o que a família espera em relação a escola infantil?

-    Mostra pra mim qual é o teu trabalhinho.
-    Mostre pra mim o que você aprendeu.


Essas são algumas frases ou questões que frequentemente escutamos dos pais e responsáveis, geralmente nos momentos em que vem buscar as crianças. Tais conversas revelam que ainda temos famílias que concebem a Educação Infantil como o período preparatório para ensino fundamental e nas entrelinhas nos colocam na responsabilidade de apresentar a todo o momento indícios da aprendizagem, até então relacionados ao antigo estigma da pré-escolarização.

Por outro lado vemos também famílias preocupadas em saber como a criança aproveita o dia na escola, que tipo de vivências teve, se ficou feliz com isso. "- Filho o que você fez na escola hoje? Você gostou de estar na escola hoje?" Uma terceira ordem de questionamentos traduz-se na concepção de uma sociedade disciplinadora sendo esta uma das funções da escola. "- Você obedeceu a professora?" Como se a principal função da escola fosse tornar suas crianças "obedientes, queridas e quietinhas. Outra frase comum é "O seu está mais bonito" ou "Tá bem certinho", ou "Pode melhorar", evidenciando uma preocupação com o resultado, em detrimento do processo em si.
A criança, justamente pelo fato de depender do adulto para quase tudo (e porque precisa aprender o tanto que o mundo tem para ensinar), precisa também de tempo para crescer em paz e, aos poucos, deixar de ser criança, virar moça ou rapaz e, devagar, caminhar para a vida adulta. Pois, então, a infância é tempo de ser criança. Quanto dura esse tempo? Isso varia de pessoa para pessoa, de situação para situação, de história para história, de classe social para classe social. Porém, é melhor não pensar a infância apenas como uma fase porque assim corremos o risco de achar que todos, na mesma idade, têm que apresentar o mesmo comportamento, como se a vida de todas as crianças fosse vivida da mesma maneira. (LOPES, 2005, p. 12)
Esta exacerbada preocupação com escolarização ainda permeia os diálogos permanentes entre família e escola, no entanto, progressivamente as escolas de educação infantil vêm se consolidando como espaço para a infância, estabelecendo uma relação de confiança entre a família e a escola, desta forma contribuindo para que a criança tenha mais segurança ao explorar o mundo e descobrir a sua própria identidade. Quando os pais se desafiam a compreender a função da escola, atuam positivamente dando continuidade às experiências realizadas pelas crianças escola.
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