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Sala de Aula: Espaço de Construção Textual

Autor: Maria de Fátima Gomes Medeiros
Data: 12/02/2009

"Ai, palavras, ai palavras,
                            que estranha potência, a vossa!
                            Todo o sentido da vida
                            principia a vossa porta; (...)"

                                                                     (Cecília Meireles)

É claramente perceptível que o mundo atual tem inserido continuamente o ser humano numa diversidade de contextos, nos quais a leitura e a escrita fazem-se presentes de forma bastante intensiva, sob diferentes modos, lugares e momentos diversos, desde a leitura de placa de trânsito a um recital de poesia ou contos de fadas. Nesse panorama diversificado a leitura e a escrita apresentam-se como atividades essenciais na vida do homem contemporâneo.

A escola é uma instituição a serviço da sociedade, essa que atualmente é capitalista e exige de seus cidadãos algumas competências mínimas, entre elas a prática da leitura e escrita. A escola acaba por se tornar principal agente na formação de leitores e escritores.

A leitura está por toda parte, seja na escola ou mesmo fora dela. Ela é imprescindível para qualquer grau de escolaridade e o professor que desejar ampliar o nível de conhecimento de seus alunos precisa, antes de tudo, buscar alternativas viáveis de leitura se quiser alcançar um resultado satisfatório quanto ao aprendizado da língua materna. Desta maneira, estimular e preparar o educando para o contato com os mais variados tipos de textos, exige, portanto, o (re) conhecimento do professor sobre a importância da leitura.

De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) o papel do professor e da escola é formar alunos críticos habilitados com a leitura, isso através do incentivo a leitura diária e de um contato íntimo com todos os tipos de textos.

Por outro lado, é importante considerar o papel do professor na criação de um ambiente alfabetizador, a sala de aula, um lugar estimulador, onde o educando terá a oportunidade de explorar diversos textos escritos como, por exemplo: o jornalístico, o clássico, o poema, a letra de música, o didático, a propaganda, a narração, a dissertação, assim como diversos são os leitores, realizando atos de leitura e de certo modo internalizando os processos da escrita. Para que os alunos percebam as diferenças entre a língua falada e a língua escrita é importante a participação do professor fazendo a mediação entre a leitura e a escrita.

Nessa perspectiva, podemos pontuar que a escrita, enquanto objeto de conhecimento de natureza alfabética, de múltiplos usos sociais e mantedores de algumas especificidades em relação à fala não devem ser assimilados de forma repentina, nem tampouco desvinculados da realidade histórica e social dos aprendizes.
As vivências que os alunos têm com materiais escritos mesmo anterior e/ou exterior à escola assumem uma importância primordial na aprendizagem da escrita e da leitura. O contato com esses materiais vai suscitar idéias, hipóteses, enfim, elaborações conceituais cada vez mais próximas da compreensão da essência de sua natureza - a leitura e a escrita.

Ler e escrever devem ser considerados dois atos inseparáveis, pois, a linguagem é um lugar de interação humana, de interação comunicativa pela produção de efeitos de sentido entre interlocutores, em uma dada situação de comunicação e em contexto sócio-histórico e ideológico (TRAVAGLIA, 1996).  A prática da leitura favorece a escrita, ou seja, quem tem o hábito de ler textos diversos tem mais condições de refletir sobre as idéias e formular opiniões numa ação interativa. Afinal, ao escrevermos um texto, precisamos ter nossa opinião formada acerca do assunto a ser desenvolvido.

Para produzir um texto, conforme Geraldi (1997, p. 160), é necessário que:
a) Se tenha o que dizer;
b) Se tenha uma razão para dizer o que se tem a dizer;
c) Se tenha para quem dizer o que se tem a dizer;
d) O locutor se constitui como tal, enquanto sujeito que diz o que diz para quem diz (o que implica responsabilizar-se, no processo, por suas falas);
e) Se escolherem as estratégias para realizar (a), (b), (c) e (d).

Se pretendermos atingir o desenvolvimento da leitura e da escrita num trabalho educativo, objetivando a produção textual é importante que o aluno sinta e compreenda a função social dessa habilidade lingüista e o porquê de sua de existência. Para tanto é necessário motivá-lo a ler e escrever, mostrando a relevância do que ele tem a dizer e a necessidade de expressão de cada indivíduo; enfim, deixar claro que quando se produz um texto com a finalidade de comunicar algo que se deseja escrever, deixa de ser um tormento e passa a ser uma atividade agradável e prazerosa.

De acordo com Santos (1991), a finalidade da escrita na escola não se limita apenas ao conhecimento dos mecanismos lingüísticos e variedades literárias, mas também e, principalmente, para satisfazer as necessidades de expressão e de comunicação.

A escola deve trazer um sentido à criança, assim como seu aprendizado deve ser um espaço onde o aluno tem autonomia para agir, discutir, decidir, realizar e avaliar suas práticas, os alunos precisam engajar-se no seu próprio aprendizado (JOLIBERT, 1994). Portanto, o professor deve criar esse espaço para seu aluno, contribuindo assim para que sua aprendizagem seja significativa.

A ajuda principal e primordial que o professor deve oferecer aos seus alunos é a que consiste em fazer as crianças viverem num meio estimulado, gerido por elas próprias, onde elas não leiam por que forçam, ou por que é atividade da aula. Mas por que entendem a leitura como uma forma de prazer e de informação (JOLIBERT, 1994).
A criança precisa saber e estar consciente de que não se expressa na forma oral ou escrita apenas para obter uma nota, para cumprir uma tarefa solicitada pelo professor, mas pelo fato de ser um sujeito social que necessita interagir com outras pessoas e uma das formas de usar a comunicação é a escrita, sabendo que vive numa sociedade letrada. Quando ela perceber que o ato de escrever lhe será útil na vida prática, conseqüentemente passará a interessar-se em aprender e aperfeiçoar a escrita.

Considerando que a criança necessita de oportunidades para adquirir novos conceitos e palavras, na dinâmica das interações verbais, mediadas pelo professor, o processo de leitura e escrita deve considerar o aluno como sujeito que interage com os outros, "onde o sujeito é social e a linguagem é um trabalho histórico e social" Vygotsky (1989). Não há um indivíduo pronto, mas um homem se completando, se constituindo nas suas falas. Daí a importância de se refletir sobre a apropriação da leitura e da escrita pelas crianças no mesmo contexto social, numa perspectiva da linguagem como processo de interação.

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