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Universidade, Ciência e Desenvolvimento

Autor: Roberto Carlos Simões Galvão
Data: 02/04/2009

O ensino superior privado cresceu muito no Brasil nos últimos anos. Esse  crescimento  não ocorreu apenas no sentido quantitativo, pois as instituições privadas estão ganhando também em qualidade. Engana-se quem continua acreditando que as faculdades particulares estão interessadas apenas no lucro. Há educação de qualidade em muitas dessas instituições; grandes centros de ensino e pesquisa começam a se firmar e a migração de professores doutores para as universidades privadas é uma constante. Algumas das melhores universidades do mundo são pagas - Harvard (fundada no ano de 1646) é um exemplo - e o Brasil caminha nesse sentido (1).

O governo brasileiro investe pouco no ensino superior público, há centros de pesquisa de ponta abandonados e os professores continuam muito malremunerados. Se tudo continuar como está, no prazo de algumas décadas o país terá nas particulares algumas de suas melhores universidades.

Em Raízes do Brasil, o historiador Sérgio Buarque de Holanda (1995) expõe a origem do descaso para com a universidade e a ciência no Brasil. Enquanto os colonizadores espanhóis fundavam universidades em Lima (Peru) e na capital do México - isto já no ano de 1551 -, a Coroa portuguesa temia as possíveis consequências da implantação de uma universidade no Brasil (2).

Na atualidade o abandono das universidades públicas, onde se produz a maior parte da ciência nacional (72% dos pesquisadores brasileiros estão nas universidades), gera consequências lamentáveis (3). Entre outros prejuízos, acarreta a perda gradativa de pesquisadores para universidades do exterior ou para instituições privadas do país. Essa migração desmonta grupos de pesquisa formados em décadas de trabalho com recursos do poder público.

O investimento no potencial científico das universidades públicas é uma necessidade inadiável. A ciência ali produzida oferece a possibilidade de criar conhecimentos e tecnologias que permitirão diminuir a miséria do país, além de ser uma condição indispensável para o sucesso das políticas sociais (DAGNINO, 2007).

Segundo Senapeschi (2003, p. 26), "o progresso científico obtido pelo desenvolvimento tecnológico tem demonstrado ser o principal instrumento de geração de riqueza e bem-estar social de uma nação". O avanço tecnológico desenvolvido é, sobretudo, um bem que pode ser usado em benefício de todos e pode ainda ser exportado.

Na era da globalização, o que diferenciará um país desenvolvido de outro subdesenvolvido será, precisamente, a quantidade de conhecimento ou de ciência e tecnologia que ambos possuirão. A realidade internacional tem demonstrado ser cada vez mais clara a relação entre o investimento em ciência e o desenvolvimento econômico e social de um país. 

Nos Estados Unidos o crescimento da atividade industrial, a partir de meados do século XX, fez com que muitos laboratórios, que antes ficavam restritos a universidades ou organismos governamentais, se deslocassem para as empresas particulares, as quais passaram a investir em pesquisa científica como meio de se manterem à frente na corrida tecnológica (SENAPESCHI, 2003).

Entre os americanos, menos de 10% dos novos produtos apresentados por empresas têm alguma participação de pesquisa acadêmica e a tendência mundial está, justamente, em concentrar a maior parte das investigações científicas e tecnológicas nas empresas privadas.

No Brasil, a industrialização tardia criou um empresariado conservador, sem a visão de que é necessário fazer pesquisa. Ademais, o país forma pesquisadores há não mais de 40 anos, sendo natural que um sistema ainda jovem forme pesquisadores para a academia, como pensa o ex-ministro Sérgio Rezende (BILLI, 2006, p.B1). "Aqui existiu sempre a noção de que quem faz pesquisa são os centros especializados e as universidades", pontua Ronald Dauscha, presidente da Associação Nacional de Pesquisa (apud BILLI, 2006, p.B6). 

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