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A Formação de Leitores (página 2)


Escola e a formação do leitor

A escola tem um papel fundamental na formação do leitor, por isso ela precisa assumir uma proposta séria de valorização da função da leitura, e a responsabilidade de organizar, criar, adequar propostas e estratégias de leitura favoráveis, proporcionando um trabalho significativo a fim de contribuir para a formação de leitores competentes.

De acordo com Luíza de Maria (2002, pag.15).
É necessário interagir com a máquina, inserir dados, reagir conforme as etapas do processo, realizar a correta leitura dos elementos apresentados, ter agilidade mental para interferir com rapidez e no momento exato. Enfim para corresponder à complexidade dos novos tempos é necessário oferecer melhor a formação àqueles que vão atuar na sociedade.
Mais do que nunca cobra-se da escola uma posição atuante, assumindo uma postura reflexiva com relação ao trabalho com a leitura que deve ser direcionado para desenvolver múltiplas habilidades, apropriando-se da responsabilidade com a sociedade e contribuído para que as novas gerações adquiram o hábito de ler. Rompendo com a forma tradicional de ensino que torna a leitura um ato de obrigação, tornando-a artificial e assim afastando e diminuído substancialmente possíveis leitores ativos, resultando em um número alto de estudantes que estão nas séries finais do Ensino Fundamental com grandes dificuldades na leitura.

Um passo a ser dado na formação de leitores, é viabilizar desde as series iniciais o acesso à cultura, ao conhecimento, à informação em espaços diversos como, canto de leitura, bibliotecas física ou virtual, permitindo a criança que seu instinto curioso aja e reaja na sua formação.

Outro importante elemento constituinte do processo de leitura e o professor, pois ele é fio condutor, o responsável pela aquisição da prática da leitura no ambiente escolar, e muitas são as dificuldades deste em desempenhar satisfatoriamente esse papel, que tem se configurado em um dos principais entraves a uma prática educativa de qualidade, Kramer destaca que:
Como é possível a um professor ou a uma professora que não gosta de ler e de escrever, que não sente prazer em desvendar os múltiplos sentidos possíveis de um texto, trabalhar para que seus alunos entrem na corrente da linguagem, na leitura e na escrita? Inversamente, se o professor ou professora gosta de ler e de escrever, se é contador de casos e de histórias, o que (na sua trajetória de vida) favoreceu esse gostar, essa prática? Que relação professoras e professores têm com a linguagem no seu cotidiano? O que contam, leem, escrevem? Como ocorreu essa relação com a escrita ao longo de suas histórias de vida construídas na coletividade? De que maneira esta experiência acumulada influencia a relação desses professores com seu trabalho? (KRAMER, SOUZA, 1996. p.18)
É imprescindível profissionais capacitados, não para que despejam a erudição sobre os educandos mas que sejam capazes de criar situações didáticas fundamentadas nas reais necessidades da criança.

Para Freire (2000), ler não está relacionado á leitura de um texto no sentido tradicional, para ele essa atividade se manifesta antes mesmo da criança ser alfabetizada ela já lê o mundo que a cerca. Para ele o posicionamento do docente deve ser dinâmico no conhecimento de seus alunos deixando-os participar das atividades, tendo uma relação de troca e não os tornando apenas memorizadores.

O professor é o responsável por elaborar estratégias significativas, na busca da formação do leitor, assegurando a criança oportunidade de vivenciar práticas pedagógicas que diminuam com as lacunas da desigualdade e dando-lhes a oportunidade de se tornar um sujeito crítico e reflexivo.

De acordo com Nunes et al (2012 : 3).
[...] Mais importante que ensinar vogais e alfabetos nas sereis iniciais do Ensino Fundamental, seria apresentar aos alunos o contato com a língua escrita com diferentes tipos de linguagens, pois é a partir daí que eles aumentarão sua compreensão e poderão fazer múltiplas leituras do mundo que os cerca.
O compromisso com a prática e sobretudo consigo mesmo, leva seu aluno a ter prazer pela leitura, rompendo com métodos e receitas prontas, que contribuem para a manutenção de padrões desiguais de distribuição, de poder e de vantagens dentro da estrutura social, podendo ir além, promovendo autonomia e a emancipação do seu aluno.

É um grande desafio, fazer com que a leitura na escola não seja apenas uma atividade didática, e por isso mesmo quase sempre artificial. A escola é lugar de ensinar a ler, porém é possível criar condições para que essa aprendizagem seja o mais próximo de uma situação real de leitura.

Considerações finais

Como grande instrumento facilitador da aprendizagem, a leitura precisa ganhar lugar de destaque na família e na escola desde cedo, pois deixam marcas profundas na criança. É preciso uma maior conscientização da instituição familiar e escolar para a importância de se ter o hábito da ler, e assim proporcionar atividades que envolvam as crianças desde cedo nessa prática necessária, concedendo estímulos que despertem o gosto pela leitura ainda na infância na busca de encontrar o caminho para a transformação com o objetivo de formar uma sociedade leitora.

 Para se formar o leitor é necessário ser leitor, gostar de ler, ser capaz de oportunizar este prazer aos indivíduos.  Seguido de motivações familiares e de condições favoráveis à leitura como acesso a livros, a textos e ao mundo letrado, e quanto mais cedo essa criança tiver a oportunidade de vivenciar este ambiente mais chances terá de construir o gosto pela leitura e consequentemente mais ocasiões para aprender.

Diante disso, é que vale ressaltar que, a formação de leitores deve está fundamentado nas reais necessidades do indivíduo e que cabe à todos repensar as práticas e criando condições para a formação de uma sociedade leitora superando o mais eficaz modo de exclusão do mundo contemporâneo, que é os baixos níveis de leitura de uma sociedade.

Referências

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler em três artigos que se completam. São Paulo, Cortez Ed., 2000.
KRAMER, S., SOUZA, S. J. (org) Histórias de professores: leitura, escrita e pesquisa em educação. São Paulo: Ática, 1996.  
MARIA, Luzia de. Leitura e Colheita: livro, leitura e formação de leitores. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012.
NUNES, Izonete et al. A importância do incentivo à leitura na visão dos professores da escola Walt Disney. In. : Revista eletrônica online. Editora: REFAF –, 2012.
RIBEIRO, Adriana de Barros. O papel da biblioteca na formação escolar. 2007. 17. Monografia (3)- Curso de Biblioteconomia, Departamento de Ciências da Informação e Documentação, Universidade de Brasília, Brasília 2007.
SILVA, Ezequiel Theodoro DA. Conhecimento e cidadania: quando a leitura se impõe como mais necessária ainda! In: ___. Conferências sobre leitura: trilogia pedagógica. Campinas: Autores Associados, 2003.

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Como referenciar: "A Formação de Leitores" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2019. Consultado em 07/12/2019 às 15:00. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/artigos/formacaoleitores/?pagina=1