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Causas do Fracasso na Alfabetização (página 2)

A alfabetização é o período mais importante da formação escolar de uma pessoa, tendo insucesso o aluno desiste, aumentando as estatísticas da evasão escolar nos anos iniciais. Porém a escola, muitas vezes, não atribui o valor que ela merece, ensinando mecanicamente a decodificação do código linguístico, sem desenvolver nos alunos, as estruturas cognitivas indispensáveis para a leitura e a escrita.

De acordo com Miriam Lemle (2006) as capacidades que o aluno precisa ter para se alfabetizar são: compreender a ideia de símbolo; discriminar as formas das letras; discriminar os sons da fala; ter a consciência da unidade palavra e a organização da página escrita.

Para Lemle (2006), o alfabetizando deve entender primeiro o que são aqueles risquinhos pretos no papel, o que não é tão simples. Já que a ideia de símbolo é bastante complexa. A correlação entre símbolo e coisa simbolizada é parcial, o que quer dizer que, o fundamento da forma de um símbolo não tem ligação direta com as características da coisa. O segundo ponto é a discriminação das formas das letras. Depois de entender o que são os risquinhos pretos no papel, e que cada um deles equivale a um símbolo da fala, a criança precisa fazer a discriminação das formas das letras.Uma vez que algumas letras do nosso alfabeto são muito parecidas. No terceiro ponto o aluno necessita fazer a discriminação dos sons da fala, ou seja, conscientização da percepção auditiva. As letras simbolizam sons da fala, então é preciso perceber as diferenças linguísticas proeminentes entre os sons, de maneira que se possa optar pela letra certa para simbolizar cada som. A quarta capacidade que o alfabetizando precisa desenvolver é a consciência da unidade palavra, que acontece naturalmente, sem muitos problemas. (LEMLE, 2006). A quinta e última habilidade é a organização espacial da página "... a idéia de que a ordem significativa das letras é da esquerda para a direita na linha, e que a ordem significativa das linhas é de cima para baixo na página". (IBID, 2006, p.12).

É importante que os professores conheçam essas habilidades, necessárias para a leitura e a escrita, e as desenvolvam nos seus alunos, para que alfabetização aconteça sem muitos problemas.

Nos anos 80, surgiu no Brasil uma nova concepção de alfabetização, no mesmo período que o conceito de letramento. Essa concepção, de certo modo, está ligada ao construtivismo. Com essa mudança conceitual, o processo de construção da escrita, pelo aluno passou a ser feita por meio da interação com o objeto de conhecimento.

Relacionando-se com a escrita, a criança vai construindo suas hipóteses sobre ela, aprendendo a ler e a escrever numa descoberta gradativa. Junto com a mudança conceitual, surgiu a ideia de que não era mais preciso um método para se alfabetizar, que foi uma visão equivocada dessa mudança. Nas concepções anteriores ao construtivismo havia métodos nos quais os professores acreditavam e eram materializados nas cartilhas e nos manuais dos professores (SOARES, 2006):

Não tinha uma teoria, porque aquele método era tudo: se adotassem o silábico, mantinham-se no silábico, pois não tinham uma teoria linguística ou psicológica que justificasse ser aquele o melhor método ou aquela melhor sequência de aprendizado. A verdade era exclusivamente o que dizia a cartilha. Havia um método, mas não uma teoria. Hoje acontece o contrário: todos têm uma bela teoria construtivista da alfabetização, mas não têm método. Se antigamente havia método sem teoria, hoje temos uma teoria sem método. E é preciso ter as duas coisas: um método fundamentado numa teoria e uma teoria que produza um método.
Existe também a falsa inferência de que, se for adotada uma teoria construtivista, não se pode ter um método, como se os dois fossem incompatíveis. Ora, absurdo é não ter método na educação. (Ibid, 2006, p.2).

Diante dessa nova concepção, a escola deixou de utilizar um método, seja ele qual for, de alfabetização. Permitindo que a criança aprenda somente pelo contato direto com a leitura e a escrita. É uma falsa conclusão pensar que na teoria construtivista não se pode ter um método de alfabetização.

Além disso, a formação inicial do professor alfabetizador é, de maneira geral, frágil. Durante a graduação a alfabetização é vista em uma disciplina separada das outras áreas. O ensino da leitura e da escrita deve ser entendido interdisciplinarmente. Mas para que isso aconteça, é fundamental que haja uma mudança na grade curricular dos cursos de Pedagogia. É preciso uma visão curricular interdisciplinar, na qual a disciplina que "ensina como alfabetizar", não ensine somente a teoria e métodos de alfabetização, mas que busque na teoria respostas para a prática docente.

Os currículos dos cursos de Pedagogia dão muita ênfase às questões estruturais e históricas da Educação, sem refletir o "quê" e o "como" alfabetizar (NOVA ESCOLA, 2008). Não fazem a correlação entre teoria e prática, e quando esses professores chegam às classes de alfabetização não sabem como lidar com a realidade escolar.

Para a antropóloga Eunice Durham (2008), em entrevista a revista Veja, os professores não sabem o que fazer quando entram em sala de aula porque a universidade supervaloriza a teoria e menospreza a prática, mostrando que o trabalho concreto de sala de aula é de menor valor em relação às reflexões mais nobres. Para ela, a situação fica ainda pior, quando esses professores não aceitam que o ensino está ruim por consequência de sua péssima formação.

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Como referenciar: "Causas do Fracasso na Alfabetização" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2020. Consultado em 20/10/2020 às 03:45. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/artigos/fracassoalfabetizacao/?pagina=1

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