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Gramática da Língua Materna: História, Conceito e Ensino

Autor: Ricardo Santos David
Data: 25/11/2015

Resumo: A proposta é abordar alguns aspectos polêmicos sobre a "discursividade" (Pêcheux, 1997) do ensino gramatical, ou seja, ensinar regras gramaticais na pressuposição de que com elas o aluno consiga dominar o dialeto padrão. Duas questões norteiam esta exposição: o que é ensino? E o que é gramática? Considerando a aparente simplicidade e obviedade das duas perguntas, o ensino de língua é um lugar onde se defrontam gramáticos e linguistas, cada qual com suas posições, às vezes, apaixonadas. Para compreender um pouco das posições dessas posições, será feita uma brevidade histórica como ponto de partida para compreender alguns dos sentidos de ensino de gramática, para isto recorremos à história.

Palavras-chave: gramática, história, educação, ensino.

INTRODUÇÃO

Ensino Desde os povos antigos houve a necessidade se registrar a história da comunidade, feitos, lendas, acontecimentos importantes de forma que fossem passados de geração a geração.

Neste sentido, a prática de transmitir o conhecimento foi formalizando-se gradativamente através dos séculos, a princípio para as comunidades de forma geral nos rituais coletivos, já na era clássica os sofistas foram os primeiros a se preocuparem com a educação popular, cobravam, foram perseguidos e muitos até mortos. Somente a pouco tempo foram reconhecidos como filósofos, pois, devido as suas práticas sempre foram considerados "filósofos menores". Na mesma época, o lugar privilegiado de ensino era as academias ao ar livre como um sistema de internato, no entanto era para poucos. Já os romanos faziam escolas nos territórios conquistados para impor sua língua e sua cultura como forma de dominação. Na Idade Média o ensino ficou restrito praticamente aos mosteiros, conventos e algumas universidades. Com o Cisma Católico, os protestantes estimulavam o conhecimento, havia aulas nas praças, pois, acreditava que todos os fiéis deveriam ter acesso direto a palavra de Deus e para isto necessitariam de saber ler.

Os Católicos eram avessos ao ensino popular. No iluminismo, o conhecimento foi concebido para todos, estava sobre o primado da razão, o conhecimento iluminava a sabedoria, o homem podia se libertar da ignorância ao ter acesso ao conhecimento. Deus já não era o princípio e o fim de tudo, havia algo que o homem poderia conhecer sem intermediação divina. No renascimento, início da modernidade e do capitalismo, a promessa seria que o conhecimento se tornaria fonte de libertação individual, ou seja, o sujeito estaria livre para descobrir as possíveis verdades sem passar pela religião.

Séculos depois, já com revolução francesa surge o ideal: "liberdade e fraternidade", uma revolução que a burguesia assumiu a liderança e sucumbiu muitas das promessas. Contemporaneamente, o ensino é condição necessária na constituição do que se chama indivíduo de direito, um imperativo para o sujeito se "encontrar", interagir no mundo. O ensino está ligado ao direito do sujeito enquanto cidadão até mesmo para se submeter a "mais-valia", sem um conhecimento "básico", saber ler e escrever, não consegue um sujeito possível de ser explorado ou ser eficiente ao vender sua força de trabalho.


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Como referenciar: "Gramática da Língua Materna: História, Conceito e Ensino" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2019. Consultado em 07/12/2019 às 14:57. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/artigos/gramtica_da_lngua_materna/