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A leitura enquanto instrumento de ação e transformação que se concretiza na relação professor x aluno (página 2)

A fim de romper com esse preconceito, a realização de um diagnóstico subsidiará e servirá de embasamento para as ações realizadas pela escola. Para tanto, é imprescindível ter clareza quanto a algumas questões: a escola tem refletido suficientemente sobre o valor da leitura na sala de aula? Que análise tem sido feita sobre a relevância dessa leitura? Como os professores têm trabalhado o exercício da leitura dentro da sua didática de ensino? Assim, diante de tais respostas será possível fazer uma análise da realidade e concluir acerca da importância da relação entre leitura x experiência de vida, isto é, teoria x prática.

Sobre esse assunto, Rocco¹ afirmou que a criança, o jovem que estuda, e também o adulto, todos gostam de ler e leem razoavelmente. Mas, salvo exceções, não suportam ler na escola, já que os textos que lhe são propostos quase nunca despertam, mesmo sendo considerados clássicos, o necessário prazer que deve presidir toda a atividade do leitor. Leem mais por exigência de uma avaliação ou para responder às questões pouco interessantes dos livros didáticos e cujas propostas são exigidas e avaliadas pelo professor. O intuito de trazer esse pensamento foi justamente para demonstrar que a dicotomia existe entre gostar de ler x fazer leitura por imposição.

Neste caso, a avaliação diagnóstica é de fundamental importância tanto para o trabalho do professor como para a construção de um projeto pedagógico que trabalhe a leitura de forma dinâmica e prazerosa, capaz de estimular a curiosidade ou o desejo dos alunos acerca de um determinado tema.

Acentue-se que a leitura é impositiva pode resultar em uma barreira entre o educador e o educando, dificultando o diálogo e, consequentemente, a construção do conhecimento intrínseca do ato de ler. Por esse motivo, é importante realizar uma sondagem sobre o livro ou a fonte a ser trabalhada, seguindo-se da problematização e dos objetivos a serem alcançados pela leitura proposta.

Agindo assim, a leitura passa a ser trabalhada como um processo e, enquanto processo, observará o perfil do leitor, suas necessidades e motivações, preparando-os para a realização concreta que está no ato de ler. Deste modo, ao ler os alunos já terão um embasamento sobre o tema o que contribui para despertar a sua curiosidade e aguçar o desejo pela leitura.

É notório que o fato do educando não gostar de ler na escola é, na maioria das vezes, resultante da pouca ou ausência de estímulos ou mecanismos capazes de despertar o seu interesse. Portanto, a leitura deve ser vista como algo que nos satisfaz e não como um instrumento de cobrança e punição.

Acrescente-se a isto que a leitura proposta pelos livros didáticos está, muitas vezes, distante do universo conceitual dessa criança. Além disso, há um outro fator limitador que pode ser observado na imposição do mundo adulto para o mundo infanto-juvenil, através da linguagem normativa e dicionarizada.

Atender a esse público exige do professor um trabalho dinâmico, caso contrário não será compreendido pelos educandos. Por esse motivo, proponho iniciar um projeto de leitura trazendo recursos áudio visuais e situações do cotidiano capazes de estabelecer uma relação entre leitura x realidade, estimulando, assim, a curiosidade e despertar do desejo de ler.

Por fim, gostaria de destacar que as práticas de leitura na escola não nascem do acaso e tampouco do autoritarismo do professor implícito no exercício ou na tarefa, mas sim no desenvolvimento de um plano de ação que incorpore as necessidades, inquietudes e desejos dos alunos-leitores. No entanto, para que isso aconteça é necessário conhecer os anseios, objetivos e, acima de tudo, os gostos dos discentes. Afinal, não basta mandar o aluno ler, é preciso ir mais além, instigar a sua curiosidade e envolvê-lo significativa e democraticamente nas situações criadas promovidas pela escola que, sem dúvidas, tem um papel de grande relevância no exercício da leitura.

1 ROCCO, M. T. F. A Importância da Leitura na Sociedade Contemporânea e o Papel da Escola Nesse Contexto. Série Ideias n.13. São Paulo: FDE, 1994, p.37-42.

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Como referenciar: "A leitura enquanto instrumento de ação e transformação que se concretiza na relação professor x aluno" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2020. Consultado em 28/11/2020 às 03:06. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/artigos/leiturainstrumento/?pagina=1

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