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Negociação e Persuasão no Contexto da Relação Aluno/Professor

Autor: Allan Gomes dos Santos, Fabio Paraguaçu Duarte da Costa
Data: 25/07/2008

Na arte de ensinar e de aprender a matemática, vários fatores são importantes para a obtenção de novas habilidades cognitivas que facilitem aos nossos educandos uma aprendizagem mais contextualizada e interdisciplinar. Entretanto, um sincronismo coerente entre aluno e professor deve trazer não somente o direito de obter conhecimentos, mas também a materialização, quer seja formal ou informal, do direito do saber ser cidadão numa sociedade através de um ensino-aprendizagem mais de acordo com suas necessidades e vivências.

Assim, o ensino deve ser importante e ter mecanismos que o fortaleçam no intuito de se obter não somente um aluno, mas também um cidadão. Então, pretende-se que a matemática e a cidadania entrem em interação no contexto do ensino e da aprendizagem, empregando mecanismos como a negociação e persuasão na aprendizagem como fatores de contribuição na resolução de conflitos e obtenção de objetivos.  

Neste contexto, Ortega (1998, p.62) fala que: "[...] a aprendizagem é um processo pelo qual as pessoas adquirem um conhecimento derivado de uma experiência, treino ou prática, que conduz a um comportamento repetitivo".

Educar pessoas é um desafio com muitas questões difíceis de serem respondidas pelo professor, como, por exemplo: Como motivar os alunos? Como me relacionar com eles? Que tipo de aula devo lecionar para agradar meus alunos? Quais conteúdos são mais importantes? Que tarefas e regras devem ser determinadas? De que forma o conhecimento deve ser compartilhado? Como avaliar o conhecimento adquirido? E tantas outras. Nossos professores não estabelecem um modelo de como ensinar, de como será seu relacionamento com os educandos e muitas vezes começam a ministrar suas aulas sem um preparo ou conhecimento básico das práticas pedagógicas. Tipicamente, um profissional licenciado com habilidades em uma determinada área de ensino, por exemplo em Matemática, é chamado para ministrar suas aulas, e, assim, todos assumem que se o profissional domina um assunto ele conseguirá ensiná-lo também sem problemas. Mas, conhecer um assunto é diferente de saber como ensiná-lo (SHARP, 2002).

Os professores das mais diversas áreas de ensino despendem grande esforço elaborando estratégias de ensino, que lhes consomem muito tempo e muitas vezes são erradas, na busca por uma comunicação eficiente com seus alunos. Portanto, há uma necessidade de se encontrarem outros caminhos e mecanismos que facilitem para evitar que ele tenha um papel de mero transmissor de conhecimento. E, dessa forma, seja possível gerar o interesse dos estudantes naquilo que realmente suas idéias desejam desenvolver, numa concepção de que seus resultados terão reflexos não somente numa aprendizagem consistente, mas em seu relacionamento com seus alunos. Nas palavras de Piaget (1974, p.44), "[...] é acima de tudo, através da interação com outros, combinando sua abordagem de realidade com a de outros que o indivíduo conhece a fundo novas abordagens".

Assim, este artigo tem o intuito de descrever ações pedagógicas desenvolvidas em sala de aula por parte de seus maiores agentes: o aluno e o professor. Nessa atividade interativa de sala de aula, mecanismos se entrelaçam com o intuito de obter o elo entre o que se vai ensinar ao que se deve ensinar. Neste contexto de dificuldade por que passam nossos educadores, proponho que o papel do professor em sua ação pedagógica de negociação de aprendizagem seja fortalecido pelo poder de persuasão em sua fala e postura e, assim, propiciar de maneira evidente o crescimento do aluno na aquisição do conhecimento.

Em vista disso, o professor não se apresenta como um elemento externo à rede de significações vivenciadas pelos estudantes: ele faz parte dela (LÉVY, 1990). De acordo com esse contexto teórico, hoje enxergamos a educação não como sendo um "arquipélago", como pode ser caracterizado no ensino tradicional, mas uma realidade multidisciplinar de diferentes áreas, conteúdos e tópicos. O ensino e aprendizagem da matemática buscam tal essência, que visualize coerência na contextualização de seu aprendizado e sua materialização de seus conteúdos, muitas vezes dentro das inovações do ensinar e aprender. Isso se apresenta muitas vezes questionado pelo contexto dessa disciplina que, por diversas maneiras, encontra-se além do interesse e utilização pelo alunado. A ação proposta neste trabalho pelo elemento professor no processo de ensino e aprendizagem se caracteriza por colocar clareza sobre as características do conhecimento desejado. Na sala de aula, o processo de negociação na aprendizagem por meio dos significados é impulsionado e controlado pelo professor. Neste sentido, podemos perceber o quão fundamental é o papel do professor, pois é essencial que ele realize a mediação entre o ensino matemático, contextualizado e interdisciplinarizado, e os alunos que querem construir esse conhecimento mais "sólido".

Levar o aluno à construção do conhecimento mais atraente e consistente é algo, no mínimo, não trivial. O professor precisa ter bastante clareza sobre as características do conhecimento desejado, de quais diferentes relações podem ser estabelecidas, das adequações das tarefas de acordo com cada conteúdo e grau de conhecimento de seu alunado, das características do contexto: material-didático, espaço, tempo, etc. Portanto, de acordo com Barufi (1999, p. 54), "[...] a necessidade de buscar a resposta ao desafio colocado propiciará então o envolvimento do aluno, que, através da orientação do professor neste processo de negociar a aprendizagem, trilhará pelo caminho da solução".
 

Referências

Obras citadas
BARUFI, Maria C. Bonomi. A construção/negociação no curso universitário inicial. Tese de doutorado.  São Paulo: USP, 1999.
LÉVY, P. Novas tecnologias e educação. São Paulo: Ática, 1990.
ORTEGA, E.. La Comunicatión Publicitaria. Madrid: Pirâmide, 1998.
PIAGET, (S.S.) Aprendizagem e conhecimento. In: PIAGET, P. & GRECO P. Aprendizagem e conhecimento. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1974.
SHARP, R.. Developing secure web applications. IEEE Internet Computing, 2002.

Obras consultadas
BARBOSA, Nanci Rodrigues. Mediação e Negociação de Sentido em Práticas de Educação a Distância Voltadas à Formação Profissional. Dissertação de Mestrado. São Paulo: USP, 2004.
BERBEL, Neusi A. Navas. As dimensões da relação aprender-ensinar. Londrina: UEL, 2001.
MOLL, Luis C.. Vygotsky e a educação: implicações pedagógicas da psicologia sócio-histórica. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
NEALE, Margaret A.; BAZERMAN, Max H.. Negociando Racionalmente. São Paulo: Atlas, 1995.
PIAGET, J. Psicologia e Epistemologia: por uma teoria do conhecimento. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1978.
POLYA, G. A arte de resolver problemas. Rio de Janeiro: Interciência, 1978.
SILVA, Maria da G. Moreira. São Paulo: Artigo. Senac, 2004.
WATKINS, Michael. Negociação. Rio de Janeiro: Record, 2004.

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Como referenciar: "Negociação e Persuasão no Contexto da Relação Aluno/Professor" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2019. Consultado em 12/12/2019 às 09:27. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/artigos/negociacao/