A Infância Sob o Olhar de Professoras da Educação Infantil: A Revelação de Uma Formação Insegura
Autor: Jónata Ferreira de Moura
Data: 19/11/2010
INTRODUÇÃO
O presente artigo é fruto do trabalho de conclusão do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Maranhão intitulado A FORMAÇÃO DO EDUCADOR DA PRIMEIRA INFÂNCIA: A CONTRIBUIÇÃO DA PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA NO ENSINO DE MATEMÁTICA (2009), que faz parte do seu quinto capítulo. A pesquisa buscou entender as compreensões que os informantes possuem acerca da infância, da formação de educadores, dos conceitos matemáticos e ainda identificar a abordagem filosófica que sustenta a prática educativa desses atores sociais na educação da primeira infância. Entretanto, para este momento nos firmaremos, única e exclusivamente, na compreensão sobre a categoria infância que as professoras possuem e assim revelaram durante os encontros com o pesquisador.
Para a realização desta pesquisa procuramos trilhar o caminho a partir do um enfoque teórico e de uma abordagem de pesquisa que nos mostrasse a compreensão sobre a infância, assim, buscamos em Triviños (1987) o entendimento acerca da abordagem qualitativa e do enfoque materialismo histórico que sustentam a pesquisa. Como instrumentos para coleta de informações nos valemos da revisão literária, da observação livre e, em Gatti (2005) nos apropriamos da técnica do grupo focal. Para a apreciação destes dados colhidos nos filiamos à análise das narrativas, pois desse modo pudemos expor com maior riqueza o entendimento das educadoras acerca da temática abordada.
Para a realização da observação livre estivemos no locus educativo dois dias por semana durante dois meses (2009), visto que tínhamos a pretensão de entender como se constitui a dinâmica das relações estabelecidas dentro do âmbito do ensino sistemático e também para podermos caracterizar a escola campo; assim usamos o diário de bordo como instrumento para documentar as percepções e atitudes das professoras, reações dos pequenos, e minhas observações sobre o ambiente e as informantes da pesquisa. Logo após, desempenhamo-nos na concretização do encontro do grupo focal, o qual se constituiu de um momento saudoso (o retorno à infância) e ao mesmo tempo preocupante, visto que o conceito de infância que as professoras possuem é, no mínimo, precário, para não dizer egocêntrico.
A CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE ESCOLAR: ALGUMAS REFLEXÕES
Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998), o espaço físico deve ser visto como elemento ativo do processo educacional, refletindo assim o entendimento de educação assumido pela instituição, e não deve ser tomado como artefato apático. Pois, "[...] é preciso que o espaço seja versátil e permeável à sua ação, sujeito às modificações propostas pelas crianças e pelos professores em função das ações desenvolvidas [...]" (RCNEI, v. 1, 1998, p. 69), proporcionando, portanto aos pequenos a oportunidade de interagir com o ambiente, correr, pular, subir, rolar, descer, brincar com areias e água, escalar, aprender e tantas outras atividades diversificadas.
Somado a isso, concordamos com Almada (2007, p. 108) quando ele afirma que "[...] a organização de um espaço não é neutra [...]", pois o ambiente escolar manifesta a corporificação das políticas públicas, os pensares e os discursos dos sujeitos que estão inseridos no locus escolar. Em razão disso e pensando nas especificidades das crianças pequenas, no seu desenvolvimento intrapessoal e interpessoal temos que nos atentar ao fato de que "[...] os espaços da educação infantil não podem ser iguais aos espaços das demais etapas da educação básica [...]" (ibidem, p. 109).
Desse modo, segundo David e Weinstein apud Carvalho e Rubiano (2000), todo e qualquer ambiente escolar construído para crianças deve atender às funções relativas ao desenvolvimento infantil no sentido de gerar: a identidade pessoal dos pequenos, o desenvolvimento de competência, a oportunidade para crescimento, a sensação de confiança, a oportunidade para contato social e privacidade. Abaixo, discutiremos cada uma dessas funções estabelecendo uma relação com a escola campo.
No que toca à promoção da identidade pessoal dos infantes, o ambiente escolar que se encontra na zona urbana da cidade de Imperatriz, estado do Maranhão, possui em suas circunvizinhanças logradouros e instituições públicas e privadas, caracterizando marca privilegiada de localização. Visto que a identidade pessoal está intensamente ligada à noção de identidade de lugar, faz-se necessário que a escola seja um espaço acolhedor, aconchegante para as crianças e ainda permita que elas possam ter lembranças saudosas desse local, uma vez que toda lembra que leve as crianças a manifestarem agradábilidade os lugares que estudaram irá se juntar ao interesse e vontade pelo ato de estudar e a vontade de transformar o ambiente que vive.
Com base em Almada (2007, p. 109) "[...] o ambiente deve permitir uma ação pedagógica que oportunize que a criança tenha seus próprios objetos, compartilhe-os com outras pessoas, personalize seu espaço e, sempre que possível decida sobre a organização do mesmo", a escola pesquisada, que possui nove salas de aula, sendo uma delas não utilizada como ambiente de ensino, uma secretária, uma sala de professores, quase não utilizada pelas docentes, pois elas ficam sempre com seus estudantes, diretoria e uma ampla cozinha, ora favorece, ora desfavorece ações pedagógicas que oportunize a identidade pessoal das crianças, visto que a escola é bem iluminada naturalmente, contudo com artefatos artificiais este feito não acontece. As lâmpadas são poucas e nem todas funcionam; quando o tempo está nublado a penumbra é total nas salas de aula deixando as crianças com dificuldades para realizar suas atividades e as que exijam delas a leitura e a escrita. E quando chove com rachadas de vento todas as salas de aula, pátio e corredores ficam molhados, não por goteiras no teto, mas porque o mesmo é suspenso, e assim as ações das crianças são prejudicadas, já que o recinto escorregadio pode promover acidentes aos pequenos.
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