Educação para quê?
Autor: Marinho Souza Filho
Data: 01/07/2010
O que significa educar alguém? Será que educar alguém é ensinar a essa pessoa a decorar fórmulas e regras?
Educar alguém é tão somente capacitar essa pessoa para resolver cálculos e fórmulas complexos, tais como: saber que a fórmula de Báscara é: Delta é igual ao termo b elevado ao quadrado menos o número quatro que multiplica por sua vez o termo a e o termo c e ainda que para se chegar ao X dessa questão, deve-se utilizar a seguinte fórmula resolutiva: X é igual a menos o termo b mais ou menos a raiz quadrada de Delta sobre dois que multiplica o termo a.
Parece óbvia a resposta da pergunta feita acima, é claro que educar alguém não significa apenas fazê-lo decorar fórmulas, normas e regras, mas sim intervir no comportamento dessa pessoa, isto é, a Educação deve pelo menos influenciar no comportamento do aprendiz para melhor.
Por isso, não adianta nada ao indivíduo entrar para a Escola e ao término dos seus estudos, sair do mesmo jeito, do mesmo modo ou da mesma maneira que entrou. Por exemplo: a criança entra na escola para cursar as séries inicias com a seguinte personalidade: mal educada, agressiva, desobediente e, muitas vezes sai pior ainda, algo de muito errado está acontecendo: a culpa é de quem? Do governo? Que não capacita melhor os professores, paga uma mixaria, um verdadeiro salário de fome, especialmente em Rondônia, onde nós, professores tínhamos um salário, em nível de Brasil, ocupando aproximadamente um dos vinte melhores salários do País. O que houve com a Educação e o que houve com os professores? Alguém mais quer, deseja ser professor?
Nesse sentido, basta verificarmos as estatísticas fornecidas pelo próprio MEC ? Ministério da Educação e Cultura para confirmarmos a defasagem de educadores em todo nosso país, faltam aproximadamente "UM MILHÃO DE MESTRES EM TODO TERRITÓRIO BRASILEIRO", as causas são simples, apesar de os governantes quererem complicá-las: baixo salário, desvalorização profissional, falta de prestígio social, hipervalorização dos alunos: o aluno "pode tudo" e o professor nada pode, ao aluno somente direitos, aos mestres pouquíssimos direitos e bastantes deveres, como por exemplo: os projetos que também viraram moda em Rondônia e talvez em todo o país, "Ah, vamos fazer um projeto de um laboratório de informática para os alunos", aliás, o governo chama de "Laboratório de Informática", uma sala geralmente grande, a maior da escola, equipada com um ar condicionado ou dois e, no máximo três ou quatro e mais alguns computadores dos quais pouquíssimos funcionam, isto seria o 'famoso laboratório de informática" fornecido pelo governo, além disso, falta ética a muitos colegas que não podem assumir um cargo comissionado de Diretor ou Representante de Ensino, antigamente também conhecido como delegado de ensino, esses profissionais quando estão no poder oprimem os colegas e o pior: virou modismo alguns gestores de escola fazerem relatório: se o indivíduo dá um espirro mais alto: "vamos fazer relatório" ou se indivíduo dá uma gargalhada mais alta do que a do outro, novamente "vamos fazer relatório".
Dessa forma, como querer, desejar ser professor, sem falar ainda e isto conta muito que o salário do professor é se comparado a outros profissionais um dos piores do Mercado Brasileiro, talvez alguém argumente: "Olha não basta pagar bem, recompensar ao professor com um salário digno, porque mesmo assim a Educação não vai melhorar", pura balela, conversa fiada, um profissional bem remunerado com certeza trabalhará melhor, por exemplo: se ele possui quarenta horas semanais e recebe o salário de dez mil reais mensais, certamente não terá necessidade de aumentar sua carga horária trabalhando em outras escolas, passando a trabalhar sessenta horas semanais, nesse caso, não lhe sobrará tempo para realizar um trabalho mais decente, entretanto, se o profissional da educação recebe um salário digno, ele pode reduzir sua carga horária, ao invés de ampliá-la e a primeira conseqüência disso seria uma melhoria na qualidade da educação. Por quê? É óbvio, reduzindo sua carga horária e possuindo uma remuneração mais digna, esse profissional teria muito mais tempo para planejar e para gastar. Talvez as pessoas quando lerem isso, possam estranhar, o que teria a ver planejar com gastar? É simples, quem planeja, gasta e muito, observemos a seguinte situação: o professor planeja uma aula sobre Termos Essenciais da Oração, percebe que o livro didático tem muitas deficiências (aliás, esse será um assunto para um próximo artigo), portanto o que ele faz? Busca novas atividades, novos exercícios, novas maneiras, novos modos de ensinar, com isso, ele gasta, vai ter de tirar xerox, formular apostilas, preparar aulas no power point, etc. Logo, vocês hão de convir conosco que quem realmente planeja, gasta.
Sendo assim, retomando e aprofundando o primeiro questionamento com o qual introduzimos esse artigo, educar alguém, não significa apenas ensiná-lo a decorar fórmulas, normas e regras, porém, a Educação deve influenciar, mudar o comportamento desses sujeitos para melhor.
Nesse aspecto, surge outra questão: somente à escola cabe educar? E a "famosa Educação de Berço?" Aquela que todos os sujeitos deveriam trazer de casa, mas, a maioria não traz, porque, atualmente, vivemos numa época em que é moda "não falar não", ou seja, muitos pais e mães por motivos diversos (a maioria deles sociais os quais também caberiam em outro artigo) e alguns por relaxamento mesmo, não educam adequadamente seus filhos e filhas, ensinando-lhes em casa boas maneiras, bons costumes, como por exemplo: pedir licença, quando passar por alguém, cumprimentar com um bom dia, boa tarde ou boa noite (às vezes um simples, mas, singelo e sincero cumprimento faz a diferença na vida de muitas pessoas), etc.
Dessa maneira, não é papel somente da escola "educar", a tão famigerada "Educação de Berço" também faz a diferença.
Do exposto, não dá para falar em melhoria, qualidade da Educação sem antes, melhorarmos os salários dos profissionais que realizam essa árdua, mas, egrégia tarefa. Desse modo, deve-se valorizar mais o professor, valorizando também os alunos.
Nesse processo, não somos contra valorizar mais os alunos, seus pais, suas mães e parentes afins, pelo contrário, deve-se valorizar e muito toda a comunidade e todos os profissionais que atuam na Educação.
Nesse sentido, o que almejamos de verdade é que se valorize tanto o professor quanto qualquer outro profissional ou ser humano, porque procedendo dessa forma, com certeza teremos uma Educação melhor e ainda um mundo mais justo.





























