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É sobre ensinar!

Autor: Bruna Longobucco
Data: 16/05/2026

De acordo com a Enciclopédia Significados, o conceito de educação engloba o nível de cortesia, delicadeza e civilidade demonstrada por um indivíduo e a sua capacidade de socialização.
Sou professora de escola pública há dois anos, e nesse pouco tempo já deu para notar que na sala de aula a delicadeza sumiu. A cortesia anda rara. E civilidade é para a minoria. Isso sem falar no respeito, que quase não existe.

Após exercer o ofício de autora independente por 20 anos, com mais de 60 livros publicados, a maioria para o público infantojuvenil, eu decidi prestar concurso público para Professora de Língua Portuguesa, pois acreditei que assim teria mais sucesso na formação de leitores. Quem ama as letras e escreve por vocação sabe que publicação independente neste país é um ato de resistência. Pois bem, diante das dificuldades de publicação do livro impresso, eu apostei no ideal de semear o interesse pelos livros em sala de aula.

Mas primeiro, eu precisava passar no concurso. O que eu não sabia é que nos últimos anos as provas para a Educação exigem cada vez mais dos concursandos e algumas são exaustivas. Uma vez aprovados, aprendemos o que é a expectativa com a classificação e a nomeação. Se meses depois, a sorte lhe traz a nomeação, não pense que está dentro, porque o edital tem suas exigências para a posse, como os exames de saúde necessários para estar apto ao tão sonhado cargo. Uma vez apto, agora é a hora de conferir e validar seus certificados e torcer para ser lotado numa boa escola.

Na teoria, eu confesso que parecia incrível ensinar Português e Literatura, já na prática é outra conversa. Ser professor parece fácil para quem não é. Carga horária de vinte e poucas horas conforme o edital e apenas ensinar o que sabe. Isso significa pouco trabalho, não é? Errado. Se passar no concurso exigiu dedicação, depois da aprovação vem a luta para entrar em exercício. E se conseguir o cargo foi difícil, a sala de aula supera qualquer desafio.

Quem lê aprende mais e se torna um cidadão e um profissional melhor e mais preparado, porém, na realidade das escolas públicas o que temos são alunos indisciplinados, desinteressados, alguns agressivos e que não pensam duas vezes antes de ofender o professor. Alguns colegas vivem sob pressão e até ameaça física. O mais preocupante é que, frequentemente, alguns pais preferem defender atitudes inadequadas dos filhos, desautorizando o professor e colocando em dúvida seu trabalho e seus critérios, em vez de contribuir para a formação ética e respeitosa dos estudantes.

Diante disso, a discrepância entre os salários do Judiciário e os dos profissionais da educação dói. Ensinar o outro deveria ser uma atividade honrosa, valorizada e bem-remunerada, no entanto, a realidade mostra justamente o contrário: enquanto algumas carreiras recebem reconhecimento financeiro e prestígio, aqueles que dedicam a vida ao ensino muitas vezes enfrentam descaso.

O que eu posso dizer é que hoje enxergo o cargo de um professor com outros olhos. Muitos de nós sequer imaginam seu desgaste diário. A carga horária não corresponde às horas que ele efetivamente trabalha. O cansaço para preparar suas aulas e expor o conteúdo, que muitas vezes a turma ignora. São tantas vozes ecoando pela sala e a do professor é apenas mais uma que se perde no tumulto.

Conversei com alguns colegas que dão aulas em dois turnos, vi o quanto alguns são preparados, se equilibrando entre trabalho, casa, especialização e até mestrado, mas frustrados com a remuneração e a infraestrutura de que dispõem para trabalhar nas escolas públicas. Desmotivados e até tristes com o mau comportamento dos alunos.

O professor ganha muito pouco pelo tanto que faz e isso você só percebe quando está diante de mais de 30 alunos que te desafiam a ser mais interessante do que um post viralizado todos os dias.

Os profissionais da educação deveriam ser tratados com o mesmo critério que se exige nos concursos públicos. Os educadores precisam de um upgrade na carreira, mais atenção e apoio da comunidade escolar. E, sobretudo, mais atenção por parte do Poder Público. Por isso, eu peço: valorize quem ensina seu filho. Ouça o que ele tem a dizer. E lembre-se: você pode ser influencer, ator, jogador, médico, juiz etc., mas tenho certeza de que já ouviu em algum lugar que não chegou aí sem um professor. Hoje, esta frase faz todo sentido pra mim.


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Como referenciar: "É sobre ensinar!" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2026. Consultado em 29/05/2026 às 11:58. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/textos/index.php?id=114