Educa-se Remediando e Remedia-se Educando
Autor: Eliana Lopes Daud
Data: 11/11/2010
É no ambiente familiar que se valoriza a Verdade. Com ela, planta-se o desenvolvimento saudável da educação desde que essa ação educativa habite coerentemente na razão e no coração daquele (a) que educa.
Quando se fala em ambiente familiar, pressupomos que nele esteja inserido o núcleo no qual acontece a educação dos filhos pelos pais biológicos ou adotivos. Nem sempre, porém, nesse espaço, há a presença dos pais biológicos. É importante discernirmos que todas as pessoas que transmitem os ensinamentos da educação e que manifestam carinho, devoção, respeito, responsabilidade, atenção, limites, amor, solidariedade, generosidade, fé, saúde e ética são Educadores.
Tios, irmãos mais velhos, padrinhos, avós, a funcionária doméstica, os profissionais das Instituições educativas e dos abrigos educacionais, quando comprometidos com o Educar, são Educadores em potencial. Os professores idem, mas em outro ambiente: o escolar.
Costumamos pensar a partir do molde familiar tradicional , que é a tríade: pais, filhos e lar. Este modelo tem demonstrado, neste novo milênio, certa comprometida fragilidade e visível enfraquecimento dos laços, por uma série de motivos e um deles é o da vida moderna.
Acontece que cada pessoa é única com a sua particularidade, com a sua singularidade, seu desejo e anseio, sua escolha e sua decisão. A compreensão das normas ditas, das regras impostas e dos procedimentos a serem obedecidos varia muito a partir do entendimento de cada um, e de como estas informações lhe são transmitidas. As condutas emitiva e receptiva variam de acordo com a capacidade da compreensão de cada ser humano.
Essa aprendizagem depende também da recepção, do recebimento cognitivo, da assimilação que cada um tem daquilo que lhe é dito e demonstrado. É a individualidade que se faz presente e essa é única. É de cada um, exclusivamente. São as particularidades cognitivas, as biológicas, as psicológicas, as emocionais, as comportamentais, as sociais e as familiares que diferem. É comum observarmos irmãos que crescem juntos no mesmo ambiente, que recebem a mesma educação e que, entretanto, têm reações naturalmente diferentes um do outro.
Já ouvimos que não se remedia a educação. Será que não? Como fica a educação sem o reparo? Remediar não é reparar? Como é que fica a educação sem a correção? Nesse sentido, exclusivamente, o educar também é remediar. Educa-se remediando e remedia-se educando, sim! Chamo a isso de sustentabilidade educativo-educacional. São as construções e as reconstruções realizadas a partir da desconstrução de um contexto. É a remediação. Muitas vezes, em formato de ressignificados, de reconceituações e de novas ideias. É a adaptabilidade.Daí surgem pontes, eliminando-se muros. Formam-se laços, descartando-se os nós. Promove-se a cultura da flexibilidade, o que proporcionará aos nossos filhos a visão de que as coisas mudam e nós mudamos com as coisas e apenas a morte é certa e inevitável. A Verdade permanece. Sempre!
A remediação favorece o respeito às diferenças culturais e sociais, às diferenças entre os seres em geral, nas suas mais variadas condições. Vamos lembrar que os exemplos dos nossos comportamentos são observados e muitas vezes, imitado pelos nossos filhos. Sendo assim, nós adultos, FORMAMOS ou DEFORMAMOS o desenvolvimento da personalidade dos nossos filhos, com os nossos exemplos, Temos que nos disciplinar com os nossos gestos e com as nossas palavras, policiando-nos constantemente.
O ser humano não nasce com a fórmula do Educar sem Errar. É primordial que reconheçamos as nossas falhas. A percepção do erro é uma valiosa ferramenta para o bem educar e devemos lidar com ele positivamente, reconhecendo-o para se acertar.
Quando dizemos: "fulano não tem educação" prejulgamos e caímos no senso comum da crítica que fazemos ao mal educado, e àquele que mal o educou. Não existe ser humano sem educação. Existe sim aquele que é bem educado e aquele que é mal educado.
É importante incentivarmos a criatividade dos nossos filhos. É importante estimularmos o talento que eles demonstram ter. É importante valorizarmos o ouvir e pararmos de achar que "lá vem bobagem" ou "depois eu explico" ou "tá bom, tá bom". Cuidado! Eles querem a verdade. Eles querem ser ouvidos, escutados, observados, corrigidos e aplaudidos. Se não pararmos para escutá-los, outros o farão. Nossos filhos poderão procurar alguém que os escute e aí é que, muitas vezes, mora o perigo.
Devemos participar das vidas dos nossos filhos ativamente e proporcionalmente, sem sufocá-los. Devemos usar DA e A Verdade sempre que necessário e sabermos COMO a aplicaremos. Precisamos ser prudentes. Muitas vezes a verdade dita de forma inadequada e no momento incerto pode trazer estragos irreparáveis mesmo sendo a verdade, por incrível que possa parecer. A cautela está disponível na prateleira do bom senso... É só pegar e usar. Não há contra-indicação.
Vamos todos percorrer o caminho do bem educar. Há de se ter paciência e equilíbrio espiritual. Há de se ter persistência e perseverança. Acredite na Verdade. Eduque verdadeiramente. Não tema em remediar (no sentido dessa nossa conversa). Saiba remediar. Remedie com bom senso, com amor, com Deus e com a Verdade. Os frutos serão colhidos e saboreados com a agradável sensação de um dever docemente cumprido.
Agindo assim, a educação não pesará ou pesará menos. Fardo, ela não será. Essa educação promoverá prazer porque os resultados surgirão e, nesse aparecimento, haverá luz, paz e harmonia na vida dos Educadores e na dos Educandos que, futuramente repetirão a experiência que lhes foi transmitida...isso se os nossos educandos já não estiverem sendo os educadores do hoje, mesmo aqueles que são as crianças. Será? Perceba isso.
Grande e fraterno abraço nessa linda missão do Aprender Educando e Educar Aprendendo. Remediar Educando e Educar Remediando. Nunca é tarde. Acredite nisso!





























