A Tecnologia na Educação Infantil
Autor: Erily Eriane Souza Santos Gomes, Jeisse de Lima Lara dos Santos, Sandra Messias Cabrera
Data: 04/08/2026
Vivemos em uma sociedade digital. As crianças de hoje nascem imersas em telas, sons e interações mediadas pela tecnologia. Negar o acesso à tecnologia na Educação Infantil é negar parte do mundo real em que essa criança vive. Diante disso, a escola tem o papel de mediar o uso consciente e intencional das ferramentas digitais, compreendendo-as como mais uma linguagem que amplia as possibilidades de aprender, criar e se comunicar na primeira infância (BRASIL, 2018).
Assim como o desenho, a fala e a música, a tecnologia configura-se como uma linguagem. Recursos como tablets, projetores, aplicativos educativos e robôs pedagógicos permitem que a criança explore formas diferentes de contar histórias, registrar descobertas e expressar ideias. A Base Nacional Comum Curricular - BNCC já prevê, no campo de experiência "Traços, sons, cores e formas", o uso de recursos tecnológicos para ampliar o repertório artístico e cultural da criança (BRASIL, 2018). O objetivo, portanto, não é substituir o brincar, mas integrá-lo ao digital.
Quando planejada com intencionalidade pedagógica, a tecnologia coloca a criança como protagonista do seu processo de aprendizagem. Ao fotografar uma planta na horta, gravar um áudio contando uma história ou utilizar um aplicativo de desenho, a criança escolhe, testa, erra e recomeça. Para Papert (2008), o computador pode ser uma "máquina de pensar" que favorece a construção do conhecimento. Dessa forma, o uso da tecnologia desde cedo desenvolve a autonomia, a resolução de problemas e a curiosidade investigativa.
A tecnologia apresenta grande potencial inclusivo na Educação Infantil. Crianças com dificuldades de fala podem se comunicar por meio de aplicativos de comunicação alternativa. Crianças com deficiência visual podem acessar histórias com audiodescrição, e aquelas com dificuldade de socialização podem se engajar em jogos colaborativos digitais. De acordo com a UNESCO (2014), a aprendizagem móvel e as tecnologias assistivas são estratégias fundamentais para garantir o direito à educação de todos, respeitando os diferentes ritmos e jeitos de aprender.
O uso de tecnologias também aproxima a escola da família e da realidade social. O envio de registros fotográficos, a criação de podcasts com as vozes das crianças e a documentação digital de projetos permitem que os responsáveis acompanhem o processo educativo. Além disso, o contato precoce e mediado com a tecnologia contribui para o letramento digital, competência cada vez mais exigida na sociedade contemporânea e essencial para a redução de desigualdades de acesso (ALMEIDA; VALENTE, 2012).
É importante ressaltar que a tecnologia não substitui o professor, nem o brincar e as interações. O docente continua sendo o mediador fundamental para fazer a curadoria dos conteúdos, definir o tempo de uso e conectar a experiência digital com a experiência concreta. Kishimoto (2011) destaca que o brincar deve permanecer como eixo central da Educação Infantil. Assim, uma atividade com realidade aumentada só ganha sentido pedagógico se for seguida de exploração, toque, conversa e criação.
Conclui-se que a necessidade da tecnologia na Educação Infantil está ligada ao direito da criança de viver e compreender o seu tempo histórico e cultural. Utilizada com ética, ludicidade e propósito, ela amplia a criatividade, fortalece a inclusão, desenvolve a autonomia e prepara a criança para ser cidadã do século XXI. O desafio da escola não é inserir mais telas, mas garantir melhores mediações. Desse modo, a tecnologia na infância é uma necessidade, desde que esteja a serviço do desenvolvimento humano integral (BRASIL, 2018).





























