Afeto e Aprendizagem em EAD
Autor: Ricardo Mendonça
Data: 10/12/2010
Como descrito por Piaget em um de seus textos, "a afetividade é o motor da cognição".
Dos heróis épicos aos poetas urbanos; dos clássicos literários aos escritores de cordel; de Myke Tyson ao Dalai Lama; do surfista ao alpinista; do físico ao químico; do dentista ao desenhista ... quando criança do a + b = c ao aluno de pós em EAD; de Freud e as pulsões à Winnicott e o conceito da "mãe boa" e suas manifestações.
Tantas vidas, histórias e significados ... o que as motiva e impele para frente?
Na famosa experiência dos filhotes de macacos sem as mães biológicas, um deles se abraçou à mãe de arame e o outro à mãe de pelúcia. Qual ficou doente? Fácil descobrir, não? Até o psicopata mais frio (não digo esquizofrênico; este pode ser muito afetivo) e "sem afeto" é motivado por um impulso. Lembram-se do "Hanniball Letter" do filme "O silêncio dos inocentes", interpretado pelo Anthony Hopkins? Qual seria este impulso? A emoção momentânea, que no caso dele, não se transforma em sentimento sustentado de amor, e, patologicamente, transforma-se em raiva assassina. Freud explicaria isso muito bem mas foge ao nosso tema.
Para nós, simples mortais, a importância da emoção inicial pode ser percebida como "sedução recebida". Temos todavia a possibilidade de transformá-la em sentimento; "tomar gosto", e, significá-lo em nossas vidas nas diversas aprendizagens neste percurso.
Como não associar aprendizagem ao afeto seja ele qual for? Só em casos de extrema necessidade o indivíduo aprende algo assim. Temos como exemplo o estudo para concursos públicos em que a necessidade gera a aprendizagem de temas por vezes muito alheios aos gostos e desejos da pessoa. Desta aprendizagem resta, em boa parte das vezes, pequenos conceitos decorados e tão somente ...
Venho trabalhando com EAD há muitos anos e via um índice razoável de evasão de alunos. Atualmente este número vem caindo muito em decorrência da interação tutor x aluno. A sala de aula virtual paradoxalmente oferece menos "ambiente" propício à aprendizagem e, ao mesmo tempo, por tratar-se de público adulto, mostra-se cada dia também mais propícia ao desenvolvimento de capacidades e aprendizagens ... o que acontece?
Os alunos pensam que o curso é um "mandar e receber e-mails" e quando se deparam com uma relação "professor-aluno" de alta qualidade, são "fisgados" em suas afetividades. Cada aluno é um universo afetivo com aprendizagens, problemas pessoais, medos quanto a internet, descobertas pequenas e constantes, aceitação do tutor como "ser real", etc. Para que isso aconteça é necessário por parte do tutor a criação de um ambiente de acolhimento e reconhecimento das necessidades e expectativas de cada aluno individualmente. Neste momento a afetividade é o ingrediente fundamental.
Tenho alunos que só querem o certificado para fins pessoais e "não estão nem aí" para interação e afeto; cursam os módulos e "tchau". Eu mesmo já fui aluno de um curso assim em que somente me interessava o certificado. Nada contra este desejo também, uma vez que em determinados momentos o afeto soa como "papo de comadres", mas a maioria quer realmente aprender e é nesta maioria que devemos focar nossa atenção.
Se sabemos, como diz Vygotsky, que a "Zona de desenvolvimento proximal", nos possibilita incorporar aprendizados pelo contato com o outro do próprio círculo, somos este círculo na "pessoa do tutor" em grande parte na EAD. Somos o espelho do afeto que se pretende reconhecido por seus esforços e necessidades de inclusão e valorização.





























