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A Abordagem Histórico-Crítica na Formação Docente

Autor: Jónata Ferreira de Moura
Data: 05/11/2010

RESUMO:

Este artigo trata da pedagogia Histórico-Crítica, constituída por Dermeval Saviani, como sendo uma alternativa para superar as abordagens anteriores na formação docente. O trabalho parte de uma investigação de revisão literária sobre a temática proposta, realiza uma pesquisa catalogada no enfoque materialismo histórico e na abordagem qualitativa, buscando entender a concepção crítica da educação e assim sua importância na formação pedagógica. Ele ainda tem a pretensão de fomentar o debate acerca da formação docente sobre esse viés, com o intuito de alicerçar nosso discurso pedagógico, ideológico, político e cultural.

INTRODUÇÃO 

A educação, mais do que nunca, alcançou um grau de importância que outrora nunca pensávamos que poderia alcançar. Sua sistematização contribui para o enriquecimento humano, para o desenvolvimento da cultura, no discernimento entre o espaço e o tempo... Podemos, então, afirmar que a educação formal,

[...] contribui decisivamente para a formação cultural do indivíduo e da coletividade, compreendendo as condições de transformação da população em povo, sendo este uma coletividade de cidadãos; todos seres sociais em condições de se inserirem nas mais diversas formas de sociabilidade e nos mais diversos jogos de forças sociais (IANNI, 2005, p. 32).


Desse modo a educação é uma categoria do trabalho não material e sua matéria prima é o saber que os seres humanos produzem historicamente em sociedade (SAVIANI, 2008). Por isso ela é tão importante para todos nós. Caso não haja ampla valorização e apreensão dos conhecimentos que durante o processo de educação o ser humano produz, a comunidade reprimida, escravizada, posta à margem, intelectualmente, jamais conseguirá conquistas de cunho socioeconômico e cultural. 

Saviani (2007), que depois de muitos estudos sobre as teorias da educação, organiza-as em três grandes teorias: as teorias não-críticas, as teorias crítico-reprodutivistas e a teoria crítica.

Para o estudioso, a composição das teorias não-críticas é feita pela pedagogia tradicional, a pedagogia da escola nova e a pedagogia tecnicista; já as teorias crítico-reprodutivistas são a teoria do sistema de ensino como violência simbólica, teoria da escola como aparelho ideológico de Estado e a teoria da escola dualista; a última, a teoria crítica que está sendo aperfeiçoada, nos remete à mudança de paradigmas. Não é nosso foco, neste trabalho, discorremos acerca das três concepções definidas pelo estudioso. Buscaremos, em linhas gerais, expor e discutir a importância da teoria crítica, pois esta é defendida e comungada durante todo este texto.

Em virtude do exposto, segundo a teoria crítica, não devemos encarar a educação como uma missão, tão pouco como um dom e sim como um elemento construído historicamente pelos Homens e para os mesmos. Pois a educação não é um poder ilusório, nem deve ser vista como uma impotência, mas deve ser concebida como um poder real, mesmo que limitado. Para tanto, o próprio autor nos esclarece estas diferenças.

Uma teoria do tipo acima enunciada impõe-se a tarefa de superar tanto o poder ilusório (que caracteriza as teorias não-críticas) como a impotência (decorrente das teorias crítico-reprodutivistas), colocando nas mãos dos educadores uma arma de luta capaz de permitir-lhes o exercício de um poder real, ainda que limitado (SAVIANI, 2007, p. 31).

Desse modo, a educação deve nos subsidiar para alcançarmos a autonomia, a independência. É através da educação que conseguiremos a transformação social. Por isso partimos do pressuposto que uma teoria crítica da educação poderá nos dar suporte teórico para progredirmos nos nossos estudos. E é por isso que defenderemos nesse artigo esta concepção de educação.

1 A Pedagogia Histórico-Crítica: um novo paradigma em educação
 
Na pedagogia histórico-crítica (a teoria crítica da educação) a escola ganha grande destaque. Na verdade ela recebe o dever de "propiciar a aquisição dos instrumentos que possibilitem o acesso ao saber elaborado (ciência), bem como o próprio acesso aos rudimentos desse saber [...]" (SAVIANI, 2008, p. 15). Mas o que vem ser esse saber elaborado? Como ele se manifesta? Este saber elaborado é o conhecimento construído historicamente pelos homens e desse modo não se confunde com algo que a natureza nos proporciona. Ele é o trabalho não-material. Ele é o clássico, ou seja, "[...] é aquilo que se firmou como fundamental, como essencial [...]" (ibidem, p. 14).

Podemos corroborar que o clássico não está associado a "conteúdos", ou seja, não estamos caminhando nos trilhos da pedagogia tradicional, pois este entendimento de tradicionalismo empregado nesta corrente pedagógica não é o mesmo na pedagogia histórico-crítica, pois nesta abordagem temos o clássico como sinônimo de tradicional. Pois se apropriando dos conhecimentos, dos clássicos, o dominado terá condições de se libertar das amarras dominantes, caso contrário "[...] o dominado não se liberta se ele não vier a dominar aquilo que os dominantes dominam. Então, dominar o que os dominantes dominam é condição de libertação" (SAVIANI, 2007, p. 55). 

Para a escola conseguir realizar esta transmissão-assimilação do saber sistematizado não basta sua existência, pois se isto bastasse não necessitaríamos desse ambiente sistematizado do ensino, mas como isso não é suficiente, a escola tem de possibilitar as condições para que haja a transmissão e a assimilação dos conhecimentos construídos historicamente. Para tanto, Saviani (2008, p. 18) afirma que a instituição escolar deverá "[...] dosá-lo e seqüenciá-lo de modo que a criança passe gradativamente do seu não-domínio ao seu domínio". Desse modo, "[...] pela mediação da escola, acontece a passagem do saber espontâneo ao saber sistematizado, da cultura popular à cultura erudita" (ibidem, p. 21). E assim, o dominado saindo dessa condição social, passa a dominar aquilo que o dominante também domina.

Visualizamos o papel da escola na pedagogia histórico-crítica, contudo, não temos ainda o percurso histórico que constitui essa linha pedagógica. Visando a superar esse hiato vamos, em poucas linhas, conhecer as origens da Pedagogia Histórico-Crítica.

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