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Educação Brasileira: Passado, Presente e Futuro O Conhecimento Através de uma Abordagem Estratégica

Autor: Mariana de Oliveira Fernandes Torres
Data: 19/06/2009

Uma das maiores revistas de negócios do planeta, a The Economist, publicou um artigo no mês de junho de 2009, dedicado exclusivamente à qualidade da educação brasileira.

O título, Brazil`s poor schools: Still a lot to learn (As pobres escolas brasileiras: Ainda há muito a aprender), chama atenção para um problema que nós, brasileiros, não precisamos que estrangeiros venham a constatar, pois sentimos seus impactos em nosso cotidiano, que se refletem na má qualidade de diversos produtos e serviços a nós oferecidos, nos índices educacionais vergonhosos, nos graves problemas políticos e sociais, enfim, a educação tem este poder, de se refletir em cada um de nós, de maneira positiva ou negativa, dependerá de como ela é valorizada e trabalhada.

Se a educação se reflete nos indivíduos, também atinge diretamente o crescimento das organizações e da nação. Portanto, temos muito a refletir sobre este assunto, colocá-lo em pauta como prioridade, inclusive dentro das empresas brasileiras que almejem um lugar ao Sol num mercado global cada vez mais exigente.

Se existem empresas denominadas "sem fins lucrativos", é claro que as outras podem ser classificadas como "com fins lucrativos", isso é parte do sistema capitalista e não pode ser negado, o lucro é certamente o objetivo final. Porém, diversos fatores vêm demonstrando que o lucro, desde o advento da Era do Conhecimento, só será atingido através do desenvolvimento do capital humano.

Esta noção de capital humano trata da ideia de que as pessoas devem investir em sua formação como forma de obter retorno, quem a desenvolveu foi o americano Gary Becker, professor de economia da Universidade de Chicago, ganhador do Prêmio Nobel em reconhecimento a estudos que tratam pela ótica da economia, de criminalidade, vida familiar e educação.

A questão em nosso país é complexa, não encontra barreiras somente em desenvolver uma cultura de autodesenvolvimento. O problema principal não está em conscientizar a população de que o principal patrimônio de uma pessoa é ela própria, e, portanto, deve investir em seu crescimento pessoal e profissional, o grande entrave é mudar o sistema educacional, tornando-o eficiente para que as promessas de "estude e será alguém na vida", possam virar realidade e não palavras vazias.

Como pode uma criança ou jovem acreditar que a escola é o lugar em que podemos ser melhores e alcançar nossos objetivos se muitas de nossas instituições perderam totalmente a credibilidade?

O artigo da revista The Economist, mostra claramente a imagem que nossas escolas estão transmitindo ao resto do mundo.

Já na frase inicial, o autor escreve que Deus pode ser brasileiro, mas com certeza não despendeu nem um pouco de seu tempo projetando o sistema educacional. A partir daí, elogios e críticas são feitas de maneira a mostrar como o desenvolvimento que seria perfeitamente possível, está sendo emperrado pelo falho processo de ensino-aprendizagem, apesar dos pesados gastos públicos investidos nesta área. Não é necessário ser economista para constatar que dinheiro mau empregado é dinheiro perdido.

Os países em desenvolvimento ganham destaque mundial, e as apostas são grandes, mas a qualidade da educação brasileira é tida como ruim e longe de alcançar os patamares de países que se encontram em situação econômica semelhante.

Apesar de muitos economistas acreditarem que a atual crise global provocará uma desglobalização e o poder do mundo irá para países de periferia, como China e Brasil, Gary Becker, citado anteriormente, afirma que a regulamentação do mercado será apenas passageira, e os mercados emergentes ainda têm de melhorar muito para alcançar os países desenvolvidos e ameaçá-los.

Gary constatou que a população dos países emergentes aumentou seu poder de consumo, mas não desenvolvem novas tecnologias, apenas consomem o que vem pronto dos países que investem em pesquisa e desenvolvimento. Ocorre assim um equilíbrio, onde as nações desenvolvidas importam componentes e produtos baratos vindos das nações em desenvolvimento e depois exportam seus produtos finais com um grande valor agregado. Ou seja, eles tendem a se beneficiar com o aumento do poder de consumo dos países emergentes, e não a serem prejudicados, como muitos avaliam.

O capitalismo elimina os mais fracos, e a única maneira de fortalecer-se é o investimento planejado e com visão estratégica de longo prazo em questões relacionadas à formação de pessoas.

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