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Planejamento para a Primeira Infância

Autor: Tânia M. Duk e Yara Adieny Krummenauer
Data: 22/04/2009

Resumo

Este artigo é resultado do estágio orientado pela Universidade de Caxias do Sul e apresenta as peculiaridades da construção do conhecimento numa turma de educação infantil em Canela (RS). Para tanto, foi elaborado um estudo observacional, considerando características pessoais (idade, sexo, desenvolvimento psicomotor) e socioeconômicas  das crianças, além de características da instituição de ensino (estratégias para mobilizar o estudante, existência de planejamento, relação equipe/aluno/professor, organização e intenção nas rotinas estabelecidas, adequação dos recursos).  Os resultados apontam o nível socioeconômico familiar do grupo como sendo de classe de baixa renda e média escolaridade. Quanto à  dimensão pedagógica, atende à expectativa educacional. Na avaliação do desenvolvimento psicomotor do grupo de crianças, destaca-se o baixo desempenho no desenvolvimento motor-adaptativo.  Concluímos, a partir da leitura da realidade, a necessidade de projetarmos ações didáticas interdisciplinares, buscando suprir possíveis lacunas na construção do desenvolvimento motor- daptativo desse grupo de estudantes.

Palavras-chave: Cidadania, Consciência Corporal, Pedagogia na Educação Infantil, Planejamento Didático.

Introdução

Ambicionando uma educação contemporânea, a Constituição Federal promulgada em 1988, possibilitou uma nova lei para a educação nacional. Em 1996 a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação nº 9.394/96 (LDB/96), incluindo a faixa de 0 a 6 anos no capítulo da educação básica traz a ideia do não espontaneísmo nas instituições infantis, bem como do não assistencialismo, e ainda questiona as filosofias educacionais voltadas unicamente para o aspecto da construção cognitiva no desenvolvimento infantil. A LDB/96 aponta a necessidade da formação específica do profissional e critica a falta de habilitação (MORÉ, 2006; 12asem.). O que se espera do professor contemporâneo é que ele seja capaz de identificar, analisar e desafiar os problemas de aprendizagem. O novo paradigma da educação vê neste professor investigador e reflexivo, uma possibilidade de contraposição ao ensino exclutório (MORÉ, 2006; 13asem.).

Na busca pela qualidade, a educação infantil vem sofrendo grande influência das teorias de Piaget, Emilia Ferreiro e mais recentemente, Vygotsky. É diante da questão da qualidade que surge o Projeto Político Pedagógico (PPP), cuja essência está atrelada à ideia de intencionalidade e sistematicidade do trabalho desenvolvido dentro da instituição pré-escolar, desde que garantidas às especificidades da faixa etária. Segundo o referencial curricular nacional, o PPP é uma ferramenta de sistematização e transformação da educação: "representa um avanço na educação infantil ao buscar soluções educativas para superação, de um lado, da tradição assistencialista das creches e, de outro, da marca da antecipação da escolaridade da pré-escola".

(Brasil - RCNEI. V-1), um documento que nas mãos de uma gestão democrática possibilita a descentralização da educação e a integração das Diretrizes Básicas da Educação, estabelecidas na LDB 9394/96 com as necessidades da comunidade, possibilitando a transformação do "status quo". "Para resgatar o lugar do planejamento na prática escolar há um elemento fulcral, que é o professor se colocar como sujeito do processo educativo." (VASCONCELLOS, 2005). Consciente deste desafio, a Universidade de Caxias do Sul propôs aos alunos da turma de Pedagogia um estágio dedicado à educação infantil. O objetivo central foi conhecer as peculiaridades da sala de aula, tendo como foco principal a primeira dimensão do planejamento - a análise da realidade - para esboçar uma proposta de atuação. Assim sendo, realizamos um estágio numa escola de educação infantil, no município de Canela/RS, e elaboramos um trabalho cujos objetivos, método, análise de dados e conclusões seguem descritos abaixo.

Objetivos

O objetivo principal foi esboçar um projeto didático interdisciplinar embasado na leitura da realidade e descrito em forma de artigo. Os secundários foram proporcionar ao estagiário o contato com a realidade em sala de aula, constatando possíveis distonias entre o proposto nas diretrizes e a ação docente, além de proporcionar a socialização das vivências durante o estágio. 

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