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Na creche a ludicidade é essencial para a criança, já que proporciona um ambiente agradável e prazeroso, dessa forma é mais interessante para criança aprender brincando, e através desse recurso é possível propiciar uma aprendizagem espontânea e natural.  Para Santos e Cruz (1997, p. 12)

[...] O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento.

A educação por meio do lúdico, de acordo com Santos (2006), propõe-se a um novo paradigma, o de aprender brincando, inspirado numa concepção de educação para além da instrumentalização.  Já passou a época em que as brincadeiras eram trabalhadas separadas das atividades pedagógicas, uma vez que os jogos e as brincadeiras também desempenham a função educativa, desde que sejam planejadas dentro do sistema de ensino.

Entende-se que educar ludicamente não é jogar lições empacotadas para o educando consumir passivamente. Educar é um ato consciente e planejado, é tornar o indivíduo consciente, engajado e feliz no mundo. É seduzir os seres humanos para o prazer de conhecer. É resgatar o verdadeiro sentido da palavra "escola", local de alegria, prazer intelectual, satisfação e desenvolvimento (DALLABONA; MENDES, 2004, p. 110).

Para alcançar esse objetivo é preciso que as instituições de educação infantil, juntamente com o corpo docente repensem sua prática educativa, que dêem importância às atividades lúdicas, uma vez que para a criança o brincar é primordial, e esse direito é garantido na Declaração dos Direitos das Crianças (1959), quando se refere que toda criança terá oportunidade de brincar e se divertir, visando os propósitos mesmos da sua educação, e que caberá a sociedade e as autoridades públicas esforçarem-se para promover o gozo deste direito.

Na educação infantil, em especial na creche, comprova-se a influência positiva das atividades lúdicas em um ambiente aconchegante, desafiador, rico em oportunidades e experiências para o crescimento sadio das crianças, como também uma forma de suprir suas necessidades biopsicossociais, e garantir condições para desenvolver suas habilidades. Assim, as creches que valorizam as atividades lúdicas, ajudam a criança a formar um bom conceito de mundo, em que a afetividade é acolhida, a sociabilidade vivenciada, a criatividade estimulada e os direitos das crianças respeitados.

2.1 Jogos e brincadeiras: um baú de metáforas

Nos estudos sobre infância, Ariès (1981) identifica na iconografia de tempos passados a presença de jogos e brincadeiras, como meios que a sociedade dispunha para divertimento da vida social e para estreitar os laços coletivos; as crianças participavam dessas festas, ritos e brincadeiras juntamente com os adultos.  Ficando claro que não existiam brincadeiras ou jogos de crianças ou de adultos, mas simplesmente brincadeiras e jogos, dos quais todos participavam, já que eram comuns a todas as idades e a todas as classes sociais.

As pesquisas desse autor evidenciam que a diferenciação de gênero era menos nítida, ambos os sexos usavam o mesmo traje, uma espécie de vestido (não havia vestimentas diferenciadas para as crianças), e que a brincadeira com bonecas era comum a meninos e meninas. Ainda complementa que homens, mulheres e crianças brincavam de cabra-cega, guerra de bolas de neve, jogos de salão, como os de rima e de mímica, ouviam os contos de fantasmas, lobisomens e do Barba, Azul, diante dos quais as crianças ficavam apavoradas. Assim, ressalta Ariés (1981, p.50)

[...] Numa tapeçaria do início do século XVI, alguns camponeses e fidalgos, estes últimos vestidos de pastores, brincam de uma espécie de cabra-cega: não aparecem crianças. Vários quadros holandeses da segunda metade do século XVII representam também pessoas brincando dessa espécie de cabra-cega. Num deles aparecem algumas crianças, mas elas estão misturadas com os adultos de todas as idades: uma mulher, com a cabeça escondida no avental, estende a mão aberta nas costas. Luiz XIII e sua mãe brincavam de esconde-esconde. Brincava-se de cabra-cega na casa de Grande Mademoiselle, no Hotel de Rambouillet. Uma gravura de Lepeautre mostra que os camponeses adultos também gostavam dessa brincadeira.

Muitos pintores retrataram em suas obras, imagens de crianças brincando e jogando, algumas com a participação de adultos. Pieter Bruegel (1525-1569), um dos maiores pintores flamengo do século XVI, talvez fixasse em um único quadro todos os jogos infantis que conhecia, daí o nome da obra "jogos infantis". Ele gostava de narrar episódios da vida cotidiana, paisagens e pessoas; nas imagens é perceptível que os indivíduos divertiam-se com objetos simples: paus, chapéus, aros, entre outros. Neste mesmo quadro, segundo um investigador curioso, não há menos que 84 brincadeiras. Vale destacar que não conseguimos diferenciar os adultos de crianças, visto que todos têm a mesma veste, porém há algo interessante nesta obra, apesar de estarem envolvidas na arte de brincar, não há expressão de alegria ou satisfação nos seus rostos, como se estivessem apenas se ocupando de mais uma atividade.

Vários jogos, brincadeiras e divertimentos eram praticados pelas crianças e pelos adultos, mas gradativamente começaram a sofrer atitude moral conflitante.  Por um lado era aceito pela grande maioria da população, e por outro era recriminado e proibido pelos moralistas e pela Igreja, pois associavam aos prazeres carnais, ao vício e ao azar. No entanto, essa atitude de reprovação absoluta modificou-se ao longo do século XVII, principalmente sob influência dos jesuítas.

Os humanistas do Renascimento perceberam as possibilidades educativas dos jogos, e de acordo com Ariés (1981, p. 65) "[...] foram os colégios jesuítas que impuseram pouco a pouco às pessoas de bem e amante da ordem uma opinião menos radical em relação aos jogos [...]". Então passaram a considerar que os jogos e as brincadeiras poderiam ser usados como forma de preservar a moralidade dos infantes, mas tinha uma condição, seriam proibidos os que eram considerados maus e recomendados àqueles considerados bons, dessa forma tornaram-se meios de educação tão apreciável quanto os estudos.

Porém, é no Romantismo que as relações entre jogos e educação se constroem, retomada pela psicologia nascente, já que antes os jogos eram caracterizados como não sérios e uma atividade fútil, portanto, na revolução romântica, descobrem valores educativos, e, consequentemente, fazem deles uma atividade séria, pelo menos para criança. É neste mesmo contexto que começa uma nova concepção da criança e sua natureza.

Vale destacar que os trabalhos de estudiosos como Comenius (1593), Rousseau (1712) e Pestalozzi (1746), na Europa, contribuíram para um novo sentimento de valorização da infância, baseada numa concepção idealista e protetora da criança, na qual desenvolveram propostas baseadas na educação dos sentidos para os pequeninos com o uso de brinquedos e centradas na recreação. Em virtude disso inicia-se à elaboração de métodos próprios para educação infantil, seja ela em casa, seja em instituições específicas para tal fim (WAJSKOP, 1995).

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