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Filosofia da Educação: Uma Abordagem sobre Fundamentos da Educação Progressista no Brasil (página 2)



2.2 - Educação Progressista no Brasil
    
A Educação Progressista no Brasil é um arquétipo educacional que busca a mudança social através da educação; é um modelo que reflete sobre todas as realidades sociais e sobre o que cada pessoa pensa sobre essas realidades (LOURENÇO; MORI, 2014).

Segundo Lemme (1961, p.21):
As transformações sociais impõem transformações no caráter da educação.  Esse reflexo da infraestrutura sobre a superestrutura, não é, porém mecânico, imediato.  [...] depois de constituída, erige-se numa força própria, com seus mantenedores especializados, cria uma ideologia que é racionalizada, tornando-se uma força conservadora, que resiste por todas as formas às que vão se verificando na infraestrutura da sociedade.
    
Sua metodologia está fundamentada em três vertentes: pedagogia libertadora de Paulo Freire, pedagogia libertária de defensores da autogestão educacional e a pedagogia critico-social que analisa o fundamento dos conteúdos através do confronto com as práticas sociais (LIBÂNEO,1990).

Segundo Loureço e Mori (2104) essa pedagogia foi baseada na teoria do conhecimento marxista, voltada para a dialética materialista, através de movimentos de continuidade e ruptura. Sua temática de reflexão e exploração vem de duas fontes: cotidiano dos alunos e seus problemas, e assuntos de interesse dos alunos. De acordo com essa pedagogia, o papel do professor é ser o mediador entre o aluno e o conhecimento, como explanado a seguir.
    
2.3 Fundamentos da Educação Progressista no Brasil

A Educação Progressista considera o indivíduo como ser que constrói a sua própria história. Sua metodologia consiste no desenvolvimento de atividades de ensino que consideram o aluno como o centro do processo ensino-aprendizagem. Os interesses, temas e problemas do cotidiano do aluno passam a fazer parte do conteúdo ensinado. O conteúdo deve ir além da definição, classificação e descrição; o professor deve explicitar a realidade social, de modo a demonstrar noções e preconceitos que dificultam a autonomia intelectual.

O grande anseio da educação progressista no Brasil é transformar o aluno no protagonista de sua própria formação, para que ele aprenda a questionar tudo aquilo que lhe é oferecido, inclusive os conteúdos e conceitos ensinados nas escolas. Os alunos também devem estar sempre atentos às questões sociais, já que elas são essenciais para causar uma mudança profunda na educação. Para isso, é fundamental que a escola seja vista como o local de acesso a cultura e produção intelectual. De acordo com a educação progressista o indivíduo é o construtor de sua própria história (LOURENÇO; MORI, 2014).
    
2.3.1 A Pedagogia Libertadora

A Pedagogia Libertadora, também conhecida como a Pedagogia de Paulo Freira, expressa a ideia de humanização do professor como guia do processo educativo; seu objetivo é suscitar a consciência crítica com relação à vida social, as desigualdades e competitividade em todas as classes sociais, principalmente na classe de baixa renda (FREIRE, 1992).

O pensamento de Freire (1992) está fundamentado no anseio de formar uma sociedade mais justa e igualitária, a partir da formação plena dos estudantes. Sua pedagogia enfatiza a necessidade de uma reflexão profunda sobre a prática educativa; para ele, a falta de reflexão faz da teoria apenas um discurso vago e a prática, por sua vez, torna-se uma mera reprodução alienada. Assim, é essencial que a teoria seja adequada à prática diária do professor; além disso, a prática crítica e a valorização das emoções devem estar lado a lado.

Lourenço e Mori (2014) explicam que, para Freire, a "missão" do professor é ensinar seu aluno a "pensar certo". E "pensar certo" significa ter "(...) disponibilidade ao risco, a aceitação do novo e a utilização de um critério para a recusa do velho." (FREIRE, apud. Lourenço e Mori, 2014). Isso inclui também a rejeição de qualquer forma de discriminação. Esse exercício do pensamento crítico formará alunos capazes de pensar o mundo em que vivem, distinguindo o que é bom do que é ruim, sempre considerando a sociedade como um todo, sem didtinção.

Refletir e discutir sobre a vida social é uma maneira de interferir positivamente no mundo, tomando um posicionamento decisivo com relação à realidade, baseado no passado e no presente. O homem não deve somente aprender a se colocar no lugar do outro, mas precisa começar a refletir sobre todas as mazelas da sociedade. A partir deste comportamento, além de entender o vínculo que rege determinando ambiente, ele será capaz de ver além das aparências e buscar a igualdade entre os homens (LOURENÇO; MORI, 2014).      
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Como referenciar: "Filosofia da Educação: Uma Abordagem sobre Fundamentos da Educação Progressista no Brasil" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2022. Consultado em 18/05/2022 às 03:27. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/artigos/filosofiaeducacaoprogressista/index.php?pagina=1

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