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A Inclusão do Deficiente Auditivo no Ensino Regular na Escola Pública

Autor: Maria Aparecida Silva de Jesus
Data: 18/03/2014

RESUMO

A presente pesquisa propõe verificar, descrever e averiguar como se promove a inclusão do deficiente auditivo numa sala de aula do ensino regular, na Escola Municipal de Educação Básica do município brasileiro de Sinop (MT). O objetivo do trabalho era verificar se o aluno deficiente auditivo que está inserido na sala de aula apresenta aprendizagem coerente com a prevista pela escola, se havia interação entre aluno/aluno e professo/aluno; Procurou-se verificar também se os professores dominam a utilização do código de Libras e qual o atendimento específico é oportunizado ao aluno com deficiência auditiva. Como fundamentação teórica, buscou-se vários autores, entre eles: Pimenta, Salles, Almeida, LDB, Couto, entre outros. A escolha metodológica pautou-se em uma Revisão Bibliográfica, com a finalidade de abordar valores, opiniões, atitudes e comportamentos. Os resultados da análise demonstram que os alunos têm se desenvolvido mesmo com a deficiência. Com o código de Libras eles se alfabetizam, tendo uma aprendizagem calcada no seu limite. O rendimento escolar corresponde às expectativas dos professores, pois os mesmos têm em seus currículos cursos na área, estando preparados para a inclusão. Quanto à socialização do aluno, os professores encontram algumas dificuldades, uma vez que o aluno com deficiência fica mais isolado. Nem todos os colegas sabem se comunicar com esse aluno, mas com os professores há uma boa socialização. O conhecimento dos professores, o intérprete e a sala de recurso, auxiliam para a melhor aprendizagem do aluno surdo, mas os professores ainda sentem certas angústias, necessitando mais subsídios para suprirem a necessidade do aluno em questão. O atendimento específico dado ao aluno surdo acrescentado a ilustrações, o atendimento na sala de recurso e os intérpretes fazem do atendimento momentos importantes para o desenvolvimento desse aluno na sua caminhada da inclusão.

Palavras-chave: Auditivo, Sala de aula, Sala de Recurso, Metodologia, Educação Inclusiva.


Introdução

A formação do professor para desenvolver o processo de inclusão é entendida como fundamental no processo de desenvolvimento profissional sendo relativamente recente os debates sobre essa formação nos níveis de ensino. Sua importância se deve ao fato desta formação propiciar um avanço na educação nas diferentes dimensões que representa a pluralidade educacional em nosso país.

Procurando compreender melhor é que procurei investigar como se dá a inclusão do deficiente auditivo no ensino regular e o que é feito no ponto de vista didático-pedagógico para que o mesmo aprenda satisfatoriamente os conteúdos da sala de aula. A metodologia utilizada foi a qualitativa onde utilizei algumas questões para as seguintes reflexões: será que nossos profissionais da educação estão sendo qualificados para atender a essas individualidades? Como a escola atende no geral esse aluno? Visto que somente a presença dele na sala não garante a inclusão escolar, pois o aluno com necessidade especial também tem o direito e a necessidade de aprender a ler e escrever, embora sua aprendizagem seja considerada diferente, ou seja, mais lenta, com mais dificuldade de concentração e raciocínio lógico matemático.

A visão moderna de Educação Especial, com base nos princípios de Inclusão e cidadania, requer a inserção do deficiente auditivo na rede regular de ensino atendendo-se as peculiaridades individuais. Mas, segundo a LDB 9394/96 no campo destinado a Educação Especial no art.59, à escola deve fornecer um atendimento qualificado para os alunos, com profissionais especializados e intérpretes de libras (Língua Brasileira de Sinais).

Refletir sobre as questões de uma escola de qualidade para todos, incluindo alunos e professores, através da perspectiva sociocultural significa considerar, dentre outros fatores, a visão ideológica de realidade construída sócio e culturalmente por aqueles que são responsáveis pela educação. Julgamentos de "deficiência", "retardamento", "privação cultural" e "desajustamento social ou familiar" são construções culturais elaborados por uma sociedade de educadores que privilegia uma só fôrma para todos os tipos de bolos (MATOS, 1997).
   
Educar indivíduos em salas de educação especial significa negar-lhes o acesso às formas ricas e estimulantes de socialização e aprendizagem que somente acontecem na sala de aula regular devido a diversidade presente neste ambiente (COUTO, 1980).   

Surdez não significa inferioridade, pois com o desenvolvimento de suas potencialidades, o surdo poderá se integrar na vida social e política da comunidade, como qualquer outro cidadão. Pode se desenvolver em qualquer área, pois sua privação sensorial só diz respeito ao som.

Ao longo da história da humanidade, percebem-se mudanças gradativas que ocorrem quanto à visão do indivíduo excepcional pela sociedade, ora sendo abandonadas ora vistas como pessoas merecedoras de compaixão. No início da Idade Média, iniciou-se o processo de distinção dos graus de Deficiência Auditiva, mas quem nascia surdo não poderia ser educado, era considerado idiota (COUTO, 1980).

Em Sinop, o atendimento ao Deficiente Auditivo começou com a implantação da APAE (Associação de Pais e Amigos do Excepcional ) no ano de 1987, com um trabalho de estimulação psicomotora, sócio-afetiva, fonoaudiólogica e terapia educacional.   

Sempre com a preocupação da necessidade e os direitos do Deficiente Auditivo em idade escolar a Inclusão no ensino regular, a APAE conseguiu atingir seu objetivo, vindo a incluir crianças no ensino regular no ano de 1989, onde as escolas Santa Elisabete, OESP e Adventista foram às pioneiras neste processo.

Em 1994, iniciou-se a APADA (Associação de Pais e Amigos do Deficiente Auditivo), onde todas as crianças com deficiência auditiva saíram da APAE para irem estudar nesta instituição. Essa associação acompanha o aluno a sala do ensino regular, proporcionando-lhe uma melhor inclusão no meio ouvinte.

Acredita-se que existem poucos profissionais atuantes nesta área, devido a isso houve uma motivação maior para a escolha definitiva desta pesquisa, voltada a inclusão do deficiente auditivo no ensino regular da escola pública na Escola Municipal Centro Educacional José Lindolfo Trierweiler, pois a deficiência auditiva exige qualificação dos profissionais e com isto, vem o desafio de desenvolver mais habilidades e competência para obtenção de resultados positivos na educação e orientação dos discentes com necessidades educacionais especiais. É importante para que haja inclusão o esforço de ambas as partes.  Para que ocorra uma conscientização das necessidades do aluno, não só por parte da sociedade, mas, sobretudo do seu núcleo familiar. Para compor este trabalho e apresentá-lo com organização metodológica optei por três capítulos os quais traduzem a investigação.

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Como referenciar: "A Inclusão do Deficiente Auditivo no Ensino Regular na Escola Pública" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2019. Consultado em 19/04/2019 às 11:52. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/artigos/inclusao_deficiente_auditivo1/