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O Ensino da Matemática nas Classes de Alfabetização: Como é? Como deveria ser?

Autor: Jonata Ferreira de Moura
Data: 20/01/2012

1. INTRODUÇÃO

O aumento do número de informações e a velocidade com que elas chegam, nos é exigido uma habilidade no processamento e na obtenção de resultados eficientes. Devido a essa exigência, que fez e ainda está fazendo com que nos preocupemos antecipadamente com a educação e o ingresso mais cedo no ensino sistemático, a educação infantil assume um papel importantíssimo na educação das crianças.

O debate sobre a educação das crianças vem de muito longe: desde Sócrates na Antiguidade; à evolução do pensamento pedagógico com Francis Bacon, Charles Darwin, Karl Marx, Comênio, J. H. Pestalozzi; ao idealismo de John Dewey, Carl Rogers, Maria Montessori, Célestin Freinet até o realismo de Anton Makarenko, Lawrence Stenhouse, B. F. Skinner, Paulo Freire, Henri Wallon, Emilia Ferreiro e em especial os pensadores que servem como sustentáculo para este trabalho científico: Jean Piaget e Lev Vygotsky. É claro que há vários outros que não foram citados, entretanto não estar se valorizando uns e desprestigiando o trabalho de outros, apenas citando pensadores e dando ênfase àqueles que servirão como norte para o direcionamento das idéias do autor do trabalho exposto.

Há revistas especializadas sobre crianças, as quais ressaltam temas de grande valia neste mundo contemporâneo, no qual vivemos, e há, também, outros periódicos de circulação nacional de caráter geral que não deixam de publicar reportagens sobre o desenvolvimento das crianças, as implicações da tecnologia para as suas vidas, as opiniões sobre uma educação de qualidade que são prioritárias para todas as crianças. Uma edição especial da revista Veja de maio de 2003 traz uma gama de informações sobre a criança desde o nascimento até os cinco anos de idade; um período de grandes descobertas e desabrochos para elas.

Aqui está o papel da matemática: propiciar o desenrolar da lógica, a rapidez do pensamento e a capacidade de selecionar informações e fazer uso eficaz delas para o desenvolvimento coletivo e individual, fazer do novo algo impulsionador e produtivo, pois a Matemática vem favorecer o crescimento integral do ser, dando a ele mecanismos para que possa seguir em frente e ser um construtor da história e não um ser passivo alheio a tudo e a todos.

Onde podemos encontrar o uso da matemática? Desde uma simples compra de guloseima ao grandioso projeto espacial internacional está presente conceitos matemáticos. Nas mais diversas áreas do conhecimento: no idioma falado por um povo, na religião, na ética, até na gastronomia. Vivemos no mundo rodeado de números, a invenção deles nos trouxe benefícios e males, "os números governam o mundo", disse Platão. A capacidade de ir além é uma proeza da humanidade que se apega com os conceitos matemáticos para progredir cada vez mais e assim construir mais um pilar na história da humanidade, assim podemos reforçar a fala de Roger Bacon: "O abandono da Matemática traz dano a todo o conhecimento, pois aquele que a ignora não pode conhecer as outras ciências ou as coisas do mundo."

Paulo Freire que trouxe à tona a problemática da importância de ler o mundo vem endossar o papel da Matemática na compreensão e na intervenção desta leitura. Nada melhor que iniciar a leitura do mundo desde cedo, já nos primeiros dias de vida; sistematicamente nos primeiros anos da educação infantil para uma caminhada mais segura e benéfica no desenvolvimento das crianças.

O psicólogo norte-americano Howard Gardner que nos seus estudos sobre a cognição lança a teoria das inteligências múltiplas: lógico-matemática, lingüística, espacial, físico-cinestésica, interpessoal, intrapessoal e musical, seriam nossas sete inteligências. Assim, conclui que a escola deve valorizar as diferentes habilidades dos alunos e não apenas a lógico-matemática e a lingüística, ou seja, buscar outros mecanismos para a valorização de competências e não pensar que um ótimo aluno é aquele que tem habilidade de aprender línguas, de usar o idioma falado e escrito para alcançar metas, de ter capacidade de realizar operações matemáticas e de analisar problemas com lógica. Concorda-se com o estudioso, pois se deve valorizar o ser em sua totalidade, acrescentando que a capacidade de analisar propicia o desenvolvimento da pessoa. Uma criança que não consegue compreender um fato, analisar situações, refletir sobre algo, também não conseguirá seguir em frente, não poderá andar com sues próprios pés. Por tanto, será um dependente ou como diz os marxistas: uma massa de manobra.

Não queremos dizer que a Matemática é uma ciência superior a todas as outras. Tampouco, estamos menosprezando as contribuições das outras áreas do conhecimento para o progresso da humanidade. Enfatiza-se aqui, a colaboração que a Matemática presta às demais ciências, seja no ramo da lógica, da estatística, da aritmética, da geometria, da álgebra, seja onde for, ela fornece meios para o passo seguinte que será tomado.

Por tudo isso é que esse trabalho será apresentado para analisar as contribuições que a educação matemática pode proporcionar às crianças de 3 aos 6 anos de idade, em especial às que possuem 6 anos de idade. E a colaboração da educação infantil e da Matemática nos avanços das crianças e na estada das mesmas nos anos seguintes de estudo. 

2. UM HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO INFANTIL

Com o advento da Primeira Guerra Mundial houve a necessidade de cuidar das crianças órfãs da guerra. O ambiente no qual viviam estava totalmente deteriorado, a proliferação de doenças era um elemento decisivo para a mortalidade infantil. Vivia-se em tempos pífios. Por essa razão foram criadas entidades assistencialistas orientadas por especialistas da área de saúde para combater a mortalidade infantil que alastrava toda a Europa.

Maria Montessori e Ovide Decroly, médicos, foram os pioneiros na sistematização de atividades para crianças com o uso de materiais especialmente confeccionados para este fim. Ambos muito interessados pelo ensino das crianças pequenas, contudo, cada um com sua própria abordagem sobre o mesmo.

Para Montessori fundadora da escola dei Bambini, a escola deveria trabalhar a criança individualmente, fazendo uso de materiais adequados à exploração sensorial por elas.

Ela acredita no desenvolvimento da espiritualidade e o via como o objetivo maior da educação.

O método Montessori é fundamentalmente biológico [...] parte do concreto rumo ao abstrato. Baseia-se na observação de que meninos e meninas aprendem melhor pela experiência direta de procura e descoberta. Para tornar esse processo o mais rico possível, a educadora italiana desenvolveu os materiais didáticos que constituem um dos aspectos mais conhecidos de seu trabalho. (Revista Nova Escola: grandes pensadores, 2005, p.31 e 32).

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Como referenciar: "O Ensino da Matemática nas Classes de Alfabetização: Como é? Como deveria ser?" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2019. Consultado em 13/12/2019 às 00:53. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/artigos/matematicanaalfabetizacao/