A Infância Sob o Olhar de Professoras da Educação Infantil: A Revelação de Uma Formação Insegura (página 2)
Na promoção do desenvolvimento de competências, a escola nos mostra os mesmos hiatos da função anterior. Uma vez que alguns mobiliários e os banheiros são adaptados à faixa etária dos pequenos estudantes, há facilidade para que as crianças possam tomar água com independência, sem assistência constante dos adultos; contudo há outros mobiliários que ficam longe do alcance dos pequenos, os livros didáticos e os brinquedos só as docentes conseguem pegar, a organização da sala de aula desfavorece o desenvolvimento das crianças, uma vez que cartazes, numerais, calendário e outros artefatos didáticos não estão pregados na parede no mesmo horizonte das crianças, dificultando o manuseio e a visão dos infantes frente a esses materiais didáticos.
Tendo em vista que "[...] o ambiente infantil deve ser planejado para dar oportunidade às crianças desenvolverem domínio e controle sobre seu habitat [...]" (CARVALHO; RUBIANO, 2000, p. 110), e sabendo que a criança é ativa e prática por natureza e tem precisões de realizar atividades diversas, podemos afirmar que a organização do espaço escolar carece de melhorias emergenciais para que os aprendentes possam desenvolver competências que são vitais ao seu desenvolvimento.
A terceira função deve promover oportunidades para o crescimento e isso é verificado na legislação educacional quando determina que a finalidade da educação infantil seja o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social. É de suma importância que os ambientes proporcionem o crescimento da criança, e isso só acontece quando eles favorecem oportunidades para movimentos corporais e para a estimulação dos sentidos.
Nessa linha de pensamento a escola-campo está bem adiantada já que possui um pátio com espaço adequado ao número de aprendentes matriculados, corredores largos dos dois lados das salas, é arborizada com mangueiras, goiabeiras, cajueiros, coqueiros, amendoeiras e pés de acerola, promovendo assim diversos aromas e sons no ambiente; possui partes altas e outras baixas onde os pequenos podem pular, subir, descer e caminhar sobre elas em linha reta com segurança, há também um parquinho para as crianças se divertirem, onde o solo é revestido de areia fina estabelecendo assim contato direto com elas sem se machucarem. A escola possui ainda espaços abertos que permitem iluminação natural, a entrada de luz solar, a visão do céu, de árvores e edifícios externos à instituição escolar.
Algo interessante e favorável ao desenvolvimento dos pequenos é a existência de mais de um tipo de piso na escola. Nas áreas cobertas o piso é lisinho, mas não escorregadio, a não ser que esteja molhado, as crianças até brincam de escorregar; nas partes não-cobertas o piso é áspero, favorecendo às crianças outra textura para experimentar, e nesses locais existem desenhos de brincadeiras e jogos, como amarelinhas e pula círculo, estimulando o brincar livremente; no parquinho o piso é de areia fina e nas quarto extremidades da escola, onde estão plantadas as árvores, o piso é de terra preta (ora fofa, ora firme), podendo as crianças perceberem vários insetos e bichinhos que vivem nesse lugar. Além de estimular os sentidos, estes tipos de solos favorecem também uma maior integração entre os sujeitos e o ambiente, e contribuem para a contração de anticorpos por parte dos pequenos.
Quando nos referimos ao espaço que promove sensação de segurança e confiança estamos alertando a todos que "[...] ao pensarmos na organização do espaço para crianças devemos levar em consideração que um ambiente é composto pelo gosto e características de seus usuários e pelo ritmo da vida que nele se desenvolverá [...]" (ALMADA, 2007, p. 112), visto que para a criança se sentir segura e confiante ela deve explorar o ambiente e observá-lo, e este deve conter poucas variações de estímulo, caso contrário os pequenos sentir-se-ão ameaçados e inseguros, não correrão, não pularão... Não desenvolverão suas atividades de ordem motora, cognitiva e emocional dentro do espaço escolar. E nesse ponto a escola está de parabéns, uma vez que são poucas as modificações estabelecidas nela.
No que se refere ao uso de brinquedos e a qualidade de todos os objetos e mobílias da escola não podemos esquecer que devem ser seguros e estarem em boas condições de uso, uma vez que, em nenhum momento, a segurança dos pequenos deve ser ameaçada pelo ambiente muito menos pelos objetos contidos nele. Nesse caso podemos afirmar que a escola tem observado estes itens e se preocupado em manter a atmosfera segura para todos.
Pensar no trabalho coletivo e individual na educação infantil é respeitar as necessidades e ritmos de cada um dos sujeitos sociais que a compõem, assim estaremos ampliando e enriquecendo as capacidades de cada criança e o respeito ao próximo (RCNEI, 1998). Desse modo, não podemos nos negligenciar ao trabalho individual afirmando que estamos nos enveredando para o individualismo como prática educativa, visto que respeitar a individualidade das crianças e construir práticas pedagógicas que possibilitem sinalizar as particularidades de cada um é levar em conta suas singularidades, respeitando-as, valorizando-as como fator de enriquecimento pessoal e cultural.
Desse modo chegamos a quinta e última função em relação ao desenvolvimento da criança que o espaço deve promover: oportunizar contato social e privacidade a ela. Sabemos que naturalmente os pequenos são curiosos e apresentam necessidades de adquirir novas experiências, todavia só demonstram esses anseios quando se sentem seguras em relação ao ambiente e às pessoas, assim "[...] o clima do ambiente pode contribuir para estimular ou inibir as indagações e os comportamentos" (ALMADA, 2007, p. 113).
Uma escola que possui espaços diversos, coletivos e individuais, possibilita o desenvolvimento da imaginação e da criatividade dos seus aprendentes. É mister que haja na instituição de educação para a primeira infância pequenos cantos/ espaços onde grupos reduzidos de crianças possam conversar, brincar, interpretar a realidade; ou ainda locais que promovam a privacidade dos infantes. Através desse prisma, as crianças podem construir sua subjetividade e vencer seus medos, pois darão asas à imaginação interpretando personagens do seu dia a dia ou dos desenhos animados que elas tanto gostam.
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