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A Rotina na Educação Infantil: na Escola e no Contexto Familiar (página 2)


Finalmente a família deve ter paciência e ser precisa nas descrições das condutas onde os pais devem colaborar e marcar normas claras indicando um ambiente relaxante, tranquilo e adaptado para que a criança deseje colaborar, havendo para isso motivação.
Durante os primeiros anos de vida, os pais desempenham um papel fundamental na transmissão a seus filhos de valores, normas, hábitos, rotinas e costumes. Este conjunto de atitudes será fundamental para seu desenvolvimento pessoal e social e em muitas ocasiões, terão um caráter persistente no tempo. Durante esta idade, compreendida entre os 3 e 5 anos, a aprendizagem opera através de dinâmicas de reforço e castigo, e mediante condutas de imitação em figuras "modelo".

Com frequência, estes papéis são assumidos pelos progenitores, com quem as crianças desenvolvem sinergias de identificação. À medida que passa o tempo, outras figuras, como irmãos ou amigos, irão assumindo esse papel, como são demonstrados por diversos trabalhos de pesquisa, apontados neste artigo.

Coincidindo com a incorporação da criança na escola, as condutas de imitação aprendizagem coincidem em vários contextos: em sua relação com os progenitores e na aula, que influi paralelamente à ação dos pais. Portanto, a relação família-escola será essencial para um desenvolvimento harmônico. Pais e professores elaboram padrões de atuação conjuntos e coordenados, encaminhadas a favorecer a aquisição de hábitos básicos para sua autonomia e desenvolvimento posterior.

Os filhos são total responsabilidade dos pais e se desejamos que sua integração social seja exitosa, devemos os acompanhar durante todas as fases do crescimento com condutas exemplares.

Existe contrastada literatura científica que avalia o modo em que os maus hábitos durante a idade precoce afetam o crescimento. É óbvio que os primeiros educadores estão na Família. De forma complementar, a escola oferece novas condutas e reforça determinadas aprendizagens que não ocorrem em um contexto familiar.

Se os pais não desenvolvem com regularidade atitudes proativas e pró sociais, seus hábitos de higiene e alimentação são deficientes e se o sono não se regula de acordo com fórmulas saudáveis, estarão oferecendo um "modelo" diferente ao que promovem as escolas. Ao contrário, se a família impulsiona hábitos de vida saudáveis, ensinando seus filhos os benefícios de fazer exercício da prática do esporte, de descobrir o sabor de novos alimentos, daremos um bom exemplo a imitar e a criança, seguramente, adotará os mesmos hábitos.

Mas, as condutas pró sociais podem ser aprendidas? Segundo Carvalho (2016), as condutas de cooperação, de ajuda, podem se aprender seguindo três processos: por um lado, um processo de identificação (sobretudo dos pais); por outro, um processo de imitação dos diferentes modelos de comportamento (pais, mestres, colegas) e finalmente, a partir da prática na família, na escola e na sociedade em geral.

Piaget (1975) ensinava que para aprender física ou linguagem é necessário fazer experimentos e analisar textos, para aprender a viver em coletividade precisa-se ter experiências de vida em comum.

Considera-se que podem se propor diversas atividades para as crianças nas quais através da estimulação cognitiva da prática em atividades programadas e das vivências reais, possam experimentar situações de relação social.

De qualquer forma, o papel da família como agente socializador é sem dúvida o que lhe confere um papel decisivo no conjunto da estrutura social, pois é dentro do ambiente familiar que a criança começa a tomar contato com o mundo exterior, e onde sua personalidade começa a adquirir forma. Neste sentido, as modernas correntes psicopedagógicas tendem a ressaltar a importância que para o desenvolvimento harmônico do ser humano representa a existência de um equilíbrio emocional e afetivo durante sua infância, equilíbrio que só poderá se conseguir mediante a adequada coordenação entre as instituições sociais e os pais; a estes, pois, corresponde em grande parte a tarefa de proporcionar a seus filhos a formação e o apoio indispensável para que possam executar sua plena integração na sociedade.

Finalmente, se queremos que as crianças aprendam e desenvolvam bons hábitos, os pais deverão servir de exemplo e modelo para eles. A partir de um ponto de vista genérico, entende-se por rotinas aquelas atividades que se realizam diariamente de forma regular, periódica e sistêmica com um caráter inevitável. Quanto aos hábitos, considera-se que são modos de agir que se aprende e/ou se adquire com a intenção de satisfazer as rotinas e que, através deles, pode se sentir mais seguros no modo de fazer diante de diferentes situações.

É por isso que, instaurar rotinas e hábitos adequados durante a etapa de Educação Infantil permite desempenhar importantes funções em relação à configuração do contexto educativo mediante o sequenciamento espaço-temporário das aulas através da repetição de atividades e tarefas.

A LDB - Leis de Diretrizes e Bases - estabelece os ensinos mínimos da Educação Infantil como uma das três áreas curriculares a trabalhar o conhecimento de si mesmo e a autonomia pessoal. Portanto, para promover a aquisição progressiva da autonomia nas atividades habituais dos alunos, e seguindo Faria e Palhares (1999), as principais funções que se desenvolvem ao trabalhar rotinas e hábitos no ambiente infantil seriam:
- Oferecer um marco de referência. Uma vez que se aprendeu a correspondente rotina, a criança é capaz de se concentrar no que está fazendo sem pensar nem se preocupar no que virá depois.

- Gerar segurança, uma vez que se trata de uma atividade conhecida por quem a realiza.
- Agir como indicador temporal, já que oferece uma percepção sensorial dos diferentes momentos nos quais se deve efetuar a atividade permitindo saber o que se deve fazer antes e depois.
- Potenciar processos de captação cognitiva, referida às diferentes estruturas que apresentam as diferentes atividades a realizar.
- Desenvolver virtualidades cognitivas e afetivas a nível metodológico com motivo das possibilidades de aprendizagem posterior que terão as crianças com respeito à aquisição de estratégias de planejamento e organização das aprendizagens.

Deste modo, deve-se considerar as rotinas como puras aprendizagens que oferecem uma melhora da capacidade cognitiva, pelo qual se trata de processos que o aluno deve aprender no ambiente da classe e a família deverá considerar para estabelecer rotinas no lar que sem dúvida contribuirão para o desenvolvimento psicológico de seus filhos.
Agora, como toda aprendizagem, e mais se tratando de alunos da Educação Infantil, é necessário fixar padrões metodológicos que contribuam para organizar e sistematizar estas aprendizagens adequadamente seguindo sempre a mesmo ordem nas atividades e mencionando claramente e com certa frequência por parte do professor o nome da rotina a trabalhar.

Igualmente, poderia ser interessante estabelecer um signo explícito que marque a transição de uma fase a outra pára que as crianças identifiquem claramente a mudança de atividade que se vai produzir.

Quanto à sequência ideal para a aprendizagem de rotinas e hábitos nesta etapa educativa, é importante incidir em que deveria incluir diferentes tipos de atividades para promover a generalização das aprendizagens a ambientes não estritamente educativos.
Segundo Oliveira (2002) estas atividades poderiam ser:

- Individualizadas, em pequeno grupo e em grande grupo.
- Realizadas independentemente pelos alunos.
- Apoiadas pelo professor ou pelos adultos.
- Com envolvimento de desgaste físico e de quietude e relaxamento.
- Realizadas em ambientes interiores e exteriores.
- Relacionadas com a própria limpeza e da classe.

Por outro lado, cabe destacar que as rotinas em Educação Infantil não devem se trabalhar como elementos rígidos e impositivos, mas como procedimentos de estruturação já que contribuem a criar um contexto de segurança através da conservação e manutenção de padrões. Deste modo, quando as crianças vão assumindo as atividades habituais, irão ganhando em possibilidades de introduzir matizes para sua realização (BARBOSA, 2009).

É nesta dinâmica de flexibilização de padrões, e inclusive nas dificuldades ocasionais que possam sobrevir que contribuirão suas próprias aprendizagens e formas de resolução (por exemplo: uma atividade que se alonga mais do que o previsto, uma roupa nova que não se sabe abotoar, um instrumento cujo uso desconhece, etc.).

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Como referenciar: "A Rotina na Educação Infantil: na Escola e no Contexto Familiar" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2020. Consultado em 23/09/2020 às 10:07. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/artigos/rotinaeducacaoinfantil/?pagina=1

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