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O Atendimento Educacional Especializado e o Aluno com Deficiência Intelectual: Desafios e Possibilidades (página 2)


3 Deficiência intelectual: conceito e características

A Deficiência Intelectual é originada, na maioria das vezes, de uma alteração no desempenho cerebral, provocada por fatores genéticos, distúrbios na gestação, problemas no parto ou na vida após o nascimento. Um dos grandes desafios enfrentados pelos pesquisadores da área é que em grande parte dos casos estudados essa alteração não tem uma causa conhecida ou identificada. Muitas vezes não se chega a estabelecer claramente a origem da deficiência.

De acordo com Carneiro (2006), a deficiência intelectual é compreendida como uma característica própria da criança de atraso no desenvolvimento cognitivo. Em geral, os professores e a sociedade focalizam no indivíduo os problemas de sua aprendizagem. Assim sendo, é na escola que a aprendizagem acontece, por meio de instrumentos, metodologias e estratégias adequadas à escolarização de alunos com deficiência. Desse modo, é necessário que estas sejam intensificadas, a fim de garantir o desenvolvimento do aluno com deficiência intelectual.

Nesse contexto, é possível apresentar algumas características da deficiência intelectual: atraso na linguagem compreensiva e expressiva, dificuldade no aprendizado, dificuldade também em articular o pensamento e ação, localização do espaço temporal, comportamento infantilizado para sua faixa etária. No cotidiano, isso quer dizer que a pessoa com Deficiência Intelectual tem dificuldade para aprender, compreender e realizar atividades simples, comuns para as outras pessoas.

Nesse sentido, num passado não muito distante, a pessoa com deficiência não tinha convivência social. Muitas vezes ficavam presas em casa, por cuidados excessivos ou mesmo por vergonha da família. Dessa forma, as pessoas com deficiência intelectual possuem os mesmos direitos que todas as outras pessoas, assegurados por Lei, a saber: direito à vida, liberdade, igualdade, educação, saúde, entre outros.

A família como o primeiro e mais importante ambiente que a pessoa participa deve proporcionar um espaço adequado e saudável de crescimento e desenvolvimento, sobretudo em se tratando das crianças com deficiência intelectual. É também dever da família estimular a criança no seu desenvolvimento assim como é uma obrigação da escola capacitar a pessoa com deficiência, incluindo a mesma no ambiente educacional. Dessa maneira, o aluno com deficiência intelectual, como qualquer outro aluno, precisa se desenvolver em todos os seus aspectos.
A presença de alunos com deficiência intelectual em ambientes comuns de aprendizagem é uma conquista da escola brasileira e poderá nos permitir reconhecer as suas possibilidades de compartilhar experiências educacionais significativas, capazes de destacar a dimensão constitutiva da escola para o desenvolvimento humano, através da construção de espaços mistos de aprendizagem. (SÃO PAULO, 2008, p. 27)
Nessa perspectiva, o aluno com deficiência intelectual precisa interagir com o meio, não pode viver isolado. O isolamento só prejudica o avanço do aluno e traz prejuízos em todas as áreas. Diante disso, é importante ressaltar que, a convivência com as demais pessoas favorece de forma significativa seu desenvolvimento cognitivo, social, afetivo, isso porque proporciona troca de experiências e de aprendizagem, além de ampliar sua visão de mundo, sabendo que faz parte do contexto social.

Assim sendo, portanto, a pessoa com deficiência intelectual precisa ser vista como realmente é na sua totalidade, uma pessoa como todas as outras, com limitações e capacidades, possuidora de direitos e deveres. É necessário então que seja educada e reconhecida nessa visão, por isso, é recomendável que a escola observe melhor sua prática, verificando assim, se o aluno de fato vem sendo incluído como os demais. A deficiência não pode tornar alguém inferior aos outros.

4 Atendimento educacional especializado

Com o surgimento de decretos, leis e até mesmo organizações sociais e políticas tanto a educação especial como a educação inclusiva vem ganhando espaço e tornando possível a inclusão de pessoas com deficiências em muitos espaços da vida social, sobretudo no ambiente escolar. A educação especial é uma modalidade de ensino que passa por todos os níveis e etapas da educação. Por meio dela crianças, jovens e adultos participam da escola com recursos pedagógicos apropriados para seu desenvolvimento.
As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutiva a escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos alunos com vistas a autonomia e independência na escola e fora dela. (BRASIL, 2008, p.10)
Assim sendo, o atendimento educacional especializado é um serviço de grande relevância, pois colabora para que as barreiras que impedem os alunos com deficiências de participarem da escola sejam extintas. Também colabora no desenvolvimento do aluno com transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades; produz materiais didáticos e pedagógicos, visando às necessidades especiais dos alunos; permite ampliação e suplementação curricular para alunos com altas habilidades. Essas são algumas especificidades do atendimento educacional especializado.

Quanto aos espaços destinados ao atendimento educacional especializado, é possível citar: salas de recursos multifuncionais, de preferência em escolas do ensino regular; centros de atendimento educacional especializados. Esse atendimento deve ser em horário diferente do qual o aluno estuda, visto que o atendimento educacional especializado não substitui o ensino regular. Ele é organizado para suprir as necessidades de conhecimento dos alunos com alguma deficiência.

Com tudo isso, é possível constatar que a forma como é organizado o atendimento educacional especializado favorece a educação dos alunos. Os mesmos são reconhecidos nas suas características individuais. Assim, portanto, a proposta inclusiva garante as pessoas com deficiências, espaços e materiais pedagógicos que colaboram significativamente para seu desenvolvimento educacional e também social. Para isso também é necessário que o professor proponha atividades que favoreçam a aprendizagem do aluno.

De acordo com o fascículo II A educação especial na perspectiva da inclusão escolar (2010), o trabalho do professor de atendimento educacional especializado voltado para o aluno com deficiência intelectual se caracteriza essencialmente pela realização de ações especificas sobre os mecanismos de aprendizagem e desenvolvimento desses alunos. É necessário também que professor conheça o aluno para além da sua condição cognitiva.
Dessa forma, portanto, o professor deve propor atividades que contribuam para a aprendizagem de conceitos, além de propor situações vivenciais que possibilitem esse aluno organizar seu pensamento, o trabalho do professor de AEE é ajudar o aluno com deficiência intelectual a atuar no ambiente escolar e também fora dele, considerando as suas especificidades cognitivas. O professor exerce um papel importante na aprendizagem do aluno com deficiência intelectual.

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Como referenciar: "O Atendimento Educacional Especializado e o Aluno com Deficiência Intelectual: Desafios e Possibilidades" em Só Pedagogia. Virtuous Tecnologia da Informação, 2008-2019. Consultado em 13/12/2019 às 00:50. Disponível na Internet em http://www.pedagogia.com.br/artigos/deficienciaintelectual/?pagina=1